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Bulimia nervosa: o que acontece e como a psicologia ajuda

terapia do esquema para transtornos alimentares

Você já se sentiu, depois de um episódio de comer em excesso, uma urgência tão grande de se livrar do que comeu — seja através de vômito, laxantes ou exercício intenso — que parecia impossível resistir?

Se sim, você não está sozinha. Esse ciclo — comer, purgar, sentir culpa e vergonha — é vivido em silêncio por muitas mulheres, e tem um nome: bulimia nervosa.

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar sério, mas que frequentemente passa despercebido porque as pessoas que convivem com ele costumam manter peso dentro da faixa considerada normal. Neste artigo, quero explicar o que é, como ela se manifesta, por que acontece e como a psicologia pode ajudar no processo de recuperação.

O que é bulimia nervosa — e por que isso importa

A bulimia nervosa é classificada pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) como um transtorno alimentar caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar, seguidos de comportamentos compensatórios inadequados — como vômito autoinduzido, uso de laxantes ou diuréticos, jejum prolongado ou exercício físico excessivo.

Esses episódios são acompanhados de uma sensação de perda de controle: a pessoa come muito mais do que comeria normalmente, em um período curto de tempo, e sente que não consegue parar. Depois vem o comportamento compensatório — uma tentativa desesperada de desfazer o que aconteceu. E, logo após, surgem sentimentos intensos de vergonha, culpa e repulsa por si mesma.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos alimentares estão entre os transtornos mentais com maiores taxas de mortalidade, e a bulimia nervosa, em especial, pode causar sérias complicações físicas quando não tratada: desequilíbrios eletrolíticos, problemas cardíacos, erosão do esmalte dentário, danos ao esôfago e ao trato gastrointestinal, entre outros.

A prevalência da bulimia nervosa é maior em mulheres, e costuma se iniciar na adolescência ou no início da vida adulta. Estudos indicam que entre 1% e 3% das mulheres desenvolvem bulimia nervosa em algum momento da vida — mas acredita-se que os números sejam maiores, já que o transtorno costuma ser vivido com muito sigilo.

Sinais de alerta da bulimia nervosa que você precisa conhecer

Um dos maiores desafios da bulimia nervosa é que ela pode ser invisível para quem está de fora. Diferente da anorexia nervosa — que frequentemente causa perda de peso visível —, na bulimia nervosa o peso corporal pode se manter estável. Isso faz com que a pessoa passe anos sofrendo sem que familiares, amigos ou até profissionais de saúde percebam.

Alguns sinais que podem indicar a presença de bulimia nervosa:

  • Episódios frequentes de comer grandes quantidades de comida de forma descontrolada, geralmente em segredo
  • Ir ao banheiro logo após as refeições
  • Preocupação excessiva com peso e forma corporal
  • Flutuações de humor, especialmente após as refeições
  • Sinais físicos como garganta inflamada cronicamente, cáries frequentes, inchaço nas bochechas e marcas nos nós dos dedos
  • Uso de laxantes, diuréticos ou remédios para emagrecer sem indicação médica
  • Prática excessiva de exercícios físicos, especialmente após comer
  • Restrição alimentar severa em determinados momentos, seguida de episódios de compulsão
  • Sentimentos intensos de vergonha, culpa ou repulsa de si mesma relacionados à alimentação

É importante lembrar: a presença de um ou dois desses sinais não confirma o diagnóstico. Apenas um profissional de saúde mental qualificado pode fazer essa avaliação. Mas se você se identificou com vários deles, é uma razão importante para buscar ajuda.

Por que a bulimia nervosa acontece: além da questão alimentar

A bulimia nervosa não é frescura, falta de força de vontade ou resultado de vaidade excessiva. É um transtorno complexo, com múltiplas causas que se entrelam.

Do ponto de vista psicológico, a bulimia nervosa está frequentemente associada a dificuldades na regulação emocional — ou seja, a pessoa não desenvolveu recursos internos suficientes para lidar com emoções difíceis como ansiedade, tristeza, raiva, solidão ou vergonha. A comida passa a funcionar como uma válvula de escape: o episódio de compulsão traz um alívio emocional momentâneo, e o comportamento compensatório serve para aplacar a culpa e a angústia que surgem depois.

Há também fatores relacionados à imagem corporal e à cultura em que vivemos. Em uma sociedade que associa magreza a valor pessoal, disciplina e sucesso, não é difícil entender como o medo de engordar pode se tornar obsessivo e devastador para a saúde mental.

Outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da bulimia nervosa incluem: histórico de dietas restritivas, experiências de trauma ou abuso, histórico familiar de transtornos alimentares, transtornos de ansiedade ou depressão, e baixa autoestima crônica. Em muitos casos, a pesquisa aponta que esquemas emocionais disfuncionais — crenças profundas sobre si mesma, o mundo e os outros, formadas na infância — estão na base do transtorno.

Como a psicologia trata a bulimia nervosa

A boa notícia é que a bulimia nervosa tem tratamento, e a psicoterapia é uma das abordagens com mais evidências científicas de eficácia. Entre as abordagens mais estudadas estão a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia do Esquema, que trabalham tanto os padrões de pensamento e comportamento associados ao transtorno quanto as raízes emocionais mais profundas.

Na minha prática clínica, trabalho com Terapia do Esquema — uma abordagem que vai além dos comportamentos visíveis e busca compreender quais crenças e experiências emocionais estão por trás do ciclo da bulimia nervosa. Muitas clientes chegam ao consultório carregando uma crença profunda de que não são suficientes — que precisam controlar o corpo para serem amadas, aceitas, respeitadas. O trabalho terapêutico busca, pouco a pouco, ressignificar essas crenças e desenvolver novas formas de lidar com as emoções.

Além da psicoterapia, o tratamento da bulimia nervosa frequentemente envolve uma equipe multidisciplinar — nutricionista com experiência em comportamento alimentar, médico para monitorar as complicações físicas e, em alguns casos, psiquiatra para avaliação de medicação. O trabalho conjunto entre esses profissionais é o que oferece o suporte mais completo para a recuperação.

É importante dizer: o processo de recuperação não é linear. Haverá dias difíceis, momentos de recaída, períodos mais pesados. Mas isso não significa fracasso — significa que o processo está acontecendo. Com o suporte adequado, é possível construir uma relação diferente com a comida e com o próprio corpo.

Como saber se é hora de buscar ajuda?

Se você leu este artigo e reconheceu sua própria história em algum trecho, isso já é um sinal importante. Muitas mulheres passam anos convivendo com a bulimia nervosa sem nunca ter colocado esse nome no que sentem — e o simples ato de nomear já é o começo de algo diferente.

Você não precisa estar doente o suficiente para buscar ajuda. Não precisa estar em crise, não precisa ter um diagnóstico fechado. Se a sua relação com a comida está te causando sofrimento — seja qual for a intensidade — você merece apoio.

A psicoterapia não promete que vai ser fácil ou rápido. Mas é um espaço para entender o que está por trás do ciclo da bulimia nervosa — e para construir, aos poucos, uma relação diferente com a comida e com você mesma.

Se quiser saber mais sobre como funciona o meu trabalho, entre em contato e conversamos.

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Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico, médico ou nutricional individualizado.

Ana Caroline Belekewice — Psicóloga CRP 08/35178
Especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição | Atendimento online para mulheres

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Sobre a Carol

Psicóloga especialista em psiconutrição e alimentação emocional. Atendo online mulheres no Brasil e exterior.

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