Terapia do Esquema para Transtornos Alimentares: o que é e como pode te ajudar

Psicóloga e pós-graduanda em Psiconutrição. Atua com Terapia do Esquema e atendimentos online, ajudando mulheres a fortalecerem sua autoestima e a construírem uma relação saudável com a comida.

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Você já tentou “comer melhor”, seguiu um plano alimentar, leu sobre nutrição, prometeu a si mesma que dessa vez seria diferente e ainda assim se viu de volta aos mesmos padrões? Se a resposta é sim, você não está sozinha, e mais importante: não é falta de força de vontade.

Transtornos alimentares como anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) e ortorexia raramente são apenas “problemas com a comida”. Por trás de cada restrição, episódio de compulsão ou comportamento compensatório existe uma história emocional que nunca encontrou outro caminho de expressão.

A boa notícia é que existe uma abordagem psicológica que vai exatamente até esse ponto: a terapia do esquema. Neste artigo, vou explicar o que é essa abordagem, como ela se conecta aos transtornos alimentares e por que ela pode ser a peça que estava faltando no seu tratamento.

“Transtornos alimentares têm a maior taxa de mortalidade entre todos os transtornos mentais. Tratar apenas o sintoma não é suficiente — é preciso ir à raiz.”

O que é a terapia do esquema?

A terapia do esquema (TE) foi desenvolvida pelo psicólogo americano Jeffrey Young na década de 1990. Ela nasceu como uma ampliação da terapia cognitivo-comportamental (TCC), criada para tratar pessoas que não respondiam bem às abordagens convencionais, especialmente aquelas com padrões emocionais muito antigos e profundos.

A premissa central é a seguinte: quando nossas necessidades emocionais básicas não são atendidas na infância e adolescência como segurança, afeto, autonomia, limites saudáveis e liberdade de expressão, desenvolvemos padrões disfuncionais de pensamento, emoção e comportamento. Esses padrões são chamados de esquemas iniciais desadaptativos.

Os esquemas não são escolhas conscientes. Eles se formam como estratégias de sobrevivência emocional na infância e se tornam “verdades” tão profundas que passamos a vida inteira agindo como se fossem reais, mesmo quando já somos adultos e o contexto mudou completamente.

Quais são os esquemas mais comuns em mulheres com transtornos alimentares?

A pesquisa clínica e científica identifica alguns esquemas que aparecem com muita frequência em mulheres que desenvolvem transtornos alimentares:

  • Defectividade/Vergonha: a crença de que há algo de errado, falho ou envergonhoso em você. “Se as pessoas me conhecessem de verdade, me rejeitariam.”
  • Padrões inflexíveis/Hipercriticismo: a pressão interna de precisar ser perfeita, produtiva e impecável. “Não é suficiente. Eu não sou suficiente.”
  • Privação emocional: a sensação de que suas necessidades afetivas nunca serão atendidas. “Ninguém realmente me entende ou se importa com o que sinto.”
  • Subjugação: a dificuldade de colocar as próprias necessidades em primeiro lugar, priorizando sempre os outros por medo de conflito ou abandono.
  • Abandono/Instabilidade: o medo de perder as pessoas importantes, de ser deixada ou de que relacionamentos nunca serão estáveis.

Cada um desses esquemas pode alimentar, de formas diferentes, uma relação disfuncional com o corpo e com a comida.

Como os esquemas se conectam aos transtornos alimentares?

Para entender essa conexão, é preciso compreender que os comportamentos alimentares disfuncionais raramente são o problema em si — eles são a solução que a mente encontrou para lidar com a dor emocional.

Veja como essa lógica funciona na prática:

A mulher que restringe a alimentação pode estar, no fundo, tentando controlar algo em sua vida quando tudo parece fora do controle. O corpo se torna o único território onde ela sente que pode exercer domínio. Isso é especialmente comum no esquema de padrões inflexíveis e defectividade.

A mulher que tem episódios de compulsão alimentar pode estar usando a comida como a única forma que conhece de se acalmar, preencher um vazio ou se recompensar. A comida regula emoções que não têm outro canal de expressão. Esse padrão aparece com frequência no esquema de privação emocional.

A mulher que purga pode estar se punindo inconscientemente, reforçando a crença de que não merece cuidado, prazer ou saciedade. Essa dinâmica é muito comum no esquema de defectividade/vergonha.

“O comportamento alimentar é uma linguagem. Antes de mudar o comportamento, precisamos entender o que ele está tentando dizer.”

É por isso que abordagens que focam apenas no “não faça isso” têm eficácia limitada a longo prazo. Quando o tratamento não aborda o que está por baixo do comportamento, o ciclo tende a se repetir, muitas vezes com culpa e vergonha ainda maiores.

Como funciona a terapia do esquema na prática?

A terapia do esquema é um processo estruturado, mas profundamente humano e relacional. Ele acontece em etapas que se constroem ao longo do tempo.

1. Avaliação e identificação dos esquemas

No início do processo terapêutico, trabalhamos juntas para mapear quais esquemas estão mais ativos na sua vida. Isso envolve compreender sua história, seus relacionamentos, suas crenças mais profundas sobre si mesma e sobre o mundo. Muitas mulheres relatam que essa fase em si já é transformadora — porque pela primeira vez alguém ajuda a nomear algo que sempre existiu, mas nunca tinha sido compreendido.

2. Trabalho com os modos esquemáticos

Um conceito central na terapia do esquema é o de modos — os diferentes estados emocionais que aparecem em nós diante de diferentes situações. Em mulheres com transtornos alimentares, alguns modos costumam ser particularmente presentes:

  • A criança vulnerável: a parte que carrega a dor, o medo de não ser boa o suficiente, a solidão que nunca foi completamente curada.
  • O crítico interno punitivo: a voz que compara, condena e humilha. “Olha o que você fez de novo. Você nunca vai mudar. Você é fraca.”
  • O protetor desligado: o modo que entorpece tudo para não sentir — às vezes manifestado como vazio, dissociação ou indiferença.
  • A criança furiosa: a raiva reprimida por anos que às vezes explode de formas que a própria pessoa não entende.

Na terapia, trabalhamos para fortalecer o que chamamos de adulto saudável — a parte de você que consegue reconhecer as suas necessidades, cuidar da criança vulnerável com compaixão e confrontar o crítico interno com firmeza. Essa parte existe em você. O trabalho terapêutico é ajudá-la a crescer.

3. Reparentalização limitada

Uma das ferramentas mais poderosas e características da terapia do esquema é o que Jeffrey Young chamou de reparentalização limitada. Dentro da relação terapêutica, o terapeuta oferece — dentro dos limites éticos e profissionais — aquilo que a cliente não recebeu na infância: validação genuína, segurança emocional, limites saudáveis e cuidado consistente.

Isso não substitui o que não aconteceu na infância, mas cria uma experiência emocional corretiva que, aos poucos, começa a modificar os esquemas.

4. Técnicas experienciais

Além do trabalho cognitivo (identificar e questionar crenças), a terapia do esquema usa técnicas experienciais como imagens mentais, diálogos entre modos e técnicas corporais. Isso é especialmente importante para transtornos alimentares, onde a desconexão com o corpo é frequente. O trabalho não fica só na cabeça — ele alcança o corpo, as emoções e a memória.

Por que a terapia do esquema é eficaz para transtornos alimentares?

Estudos clínicos indicam que transtornos alimentares têm altas taxas de recaída quando o tratamento se concentra apenas no comportamento sem trabalhar os padrões emocionais subjacentes. A terapia do esquema oferece uma resposta a esse problema porque:

  • Trabalha as causas emocionais profundas, não apenas os sintomas visíveis.
  • Cria uma relação terapêutica reparadora, que em si já é parte do tratamento.
  • Integra técnicas cognitivas, emocionais e corporais, abordando a pessoa de forma completa.
  • É especialmente eficaz para pessoas com padrões antigos e resistentes — aquelas que já fizeram outros tratamentos e sentiram que “faltava algo”.
  • Desenvolve habilidades emocionais duradouras — não apenas estratégias de curto prazo.

“A terapia do esquema não promete uma solução rápida. Ela oferece algo mais valioso: uma transformação real e duradoura na forma como você se relaciona consigo mesma.”

Perguntas frequentes sobre terapia do esquema e transtornos alimentares

A terapia do esquema substitui o acompanhamento com nutricionista?

Não. O tratamento dos transtornos alimentares é preferencialmente multidisciplinar. A psicoterapia trabalha as causas emocionais e os padrões psicológicos, enquanto o acompanhamento nutricional cuida dos aspectos físicos e da relação prática com a alimentação. As duas abordagens se complementam e os resultados costumam ser significativamente melhores quando caminham juntas.

Quanto tempo dura o tratamento?

A terapia do esquema é uma abordagem de médio a longo prazo. Diferente de intervenções focadas em sintomas específicos, ela trabalha padrões que se formaram ao longo de anos — e isso exige tempo e profundidade. A maioria das clientes começa a perceber mudanças significativas entre 6 e 12 meses de processo, mas cada história é única.

Tenho transtorno alimentar há muitos anos. Ainda faz sentido buscar ajuda?

Sim, com certeza. A terapia do esquema foi desenvolvida exatamente para padrões que resistiram a outras formas de tratamento. O tempo de duração do transtorno não determina a possibilidade de mudança — o que mais importa é o seu desejo genuíno de entender e transformar o que está acontecendo.

Você atende de forma online?

Sim. Atendo de forma online pelo Brasil todo. A psicoterapia online, quando conduzida de forma ética e cuidadosa, tem eficácia comprovada e permite que mais mulheres tenham acesso a um acompanhamento especializado, independente de onde estejam.

Você se reconheceu em algo neste artigo?

Se ao longo dessa leitura você teve pensamentos como “é exatamente assim que eu me sinto” ou “nunca tinha visto isso explicado dessa forma”, esse reconhecimento já é importante. Ele diz que existe uma parte de você pronta para olhar além dos sintomas.

Você não precisa continuar lutando contra si mesma. Existe um caminho que vai além do controle, da culpa e da vergonha e esse caminho começa quando alguém te ajuda a entender a história por trás do que você está vivendo.

Sou Ana Caroline Belekewice, psicóloga com especialização em transtornos alimentares e formação em terapia do esquema. Atendo mulheres adultas que querem ir fundo nas raízes do seu sofrimento e construir uma relação mais gentil, honesta e livre consigo mesmas e com o próprio corpo.

Se você quiser entender como esse trabalho pode se aplicar ao que você está vivendo, entre em contato para agendar uma sessão de avaliação. Estou aqui.


Ana Caroline Belekewice | Psicóloga CRP 08/35178

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