Você já teve a sensação de repetir os mesmos padrões na vida, mesmo sem querer? De entrar nos mesmos tipos de relacionamento, de reagir sempre da mesma forma quando se sente rejeitada, de nunca se sentir boa o suficiente, mesmo quando tudo ao redor parece estar bem?

Psicóloga e pós-graduanda em Psiconutrição. Atua com Terapia do Esquema e atendimentos online, ajudando mulheres a fortalecerem sua autoestima e a construírem uma relação saudável com a comida.

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Se sim, existe uma grande chance de que esses padrões tenham um nome — e uma explicação que vai muito além de “isso é meu jeito de ser”.

A Terapia do Esquema é uma das abordagens mais profundas e eficazes da psicologia contemporânea para trabalhar exatamente esses padrões emocionais antigos que insistem em aparecer na vida adulta. E entender como ela funciona pode ser o primeiro passo para finalmente mudar o que parece impossível de mudar. 💜

📋 Neste artigo você vai encontrar:

O que é a Terapia do Esquema

A Terapia do Esquema (TE) é uma abordagem psicológica integrativa desenvolvida pelo psicólogo americano Jeffrey Young na década de 1990. Ela parte de uma premissa simples e poderosa: muitos dos padrões emocionais e comportamentais que nos causam sofrimento na vida adulta têm raízes em experiências da infância, quando nossas necessidades emocionais mais básicas não foram adequadamente atendidas.

O termo “esquema” se refere exatamente a esses padrões: estruturas profundas de sentimentos, percepções e comportamentos que uma pessoa desenvolve como resposta às experiências que viveu quando era criança. Quando esses esquemas não se adaptam adequadamente às situações e acabam trazendo prejuízos, são chamados de “desadaptativos”.

O que torna a Terapia do Esquema especialmente poderosa é que ela não trata apenas os sintomas visíveis, mas vai até a raiz do problema. Ela busca não apenas aliviar sintomas, mas promover mudanças estruturais e duráveis na personalidade.

💜 Em outras palavras: enquanto outras terapias trabalham com o que você pensa e faz agora, a Terapia do Esquema investiga de onde vieram esses pensamentos e comportamentos, e transforma isso de dentro para fora.

Como surgiu: a história de Jeffrey Young

Jeffrey Young era um discípulo de Aaron Beck, o criador da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Mas no dia a dia do consultório, ele percebeu que alguns pacientes simplesmente não respondiam bem à TCC tradicional. Especialmente aqueles com padrões emocionais mais antigos e arraigados, como transtornos de personalidade, dificuldades crônicas nos relacionamentos e questões que remontavam à infância.

A Terapia do Esquema foi desenvolvida por Jeffrey Young no final da década de 1980 para ajudar pacientes com transtornos de personalidade que não respondiam bem ao tratamento com a terapia cognitivo-comportamental de curta duração.

Para dar conta dessa complexidade, Young foi além da TCC e construiu uma abordagem que integra várias escolas do pensamento psicológico. A Terapia do Esquema une a terapia cognitivo-comportamental com elementos da teoria do apego, da Gestalt, da psicodinâmica e das neurociências.

O resultado foi uma das abordagens mais completas e humanizadas da psicologia moderna, que hoje tem evidências científicas sólidas de eficácia para uma grande variedade de condições.

O que são os esquemas desadaptativos

Imagine uma criança que cresceu em um ambiente onde demonstrar emoções era punido, ignorado ou ridicularizado. Aos poucos, ela aprende que sentir e expressar o que sente é perigoso, ou que não tem valor. Esse aprendizado se cristaliza em um esquema.

Na vida adulta, sempre que essa pessoa se aproxima de alguém de quem gosta, o esquema é ativado. Ela pode se fechar emocionalmente sem entender por quê, ou se antecipar à rejeição antes mesmo que ela aconteça.

Os Esquemas Iniciais Desadaptativos são “crenças e sentimentos incondicionais sobre si mesmo em relação ao ambiente”, representando o nível mais profundo da cognição, e operam de modo sutil, fora da consciência. São temas extremamente estáveis e duradouros que se desenvolvem cedo durante a infância, são elaborados ao longo da vida e são disfuncionais em grau significativo.

Uma característica importante dos esquemas é que, mesmo causando sofrimento, eles parecem familiares e verdadeiros. Mesmo causando sofrimento, eles têm relação com a pessoa e com quem a rodeia, o que faz com que sejam difíceis de mudar. É como se o esquema fosse a nossa “verdade” mais profunda sobre nós mesmos e sobre o mundo — e questionar essa verdade dá medo.

As 5 necessidades emocionais básicas

Para entender de onde vêm os esquemas, precisamos falar sobre as necessidades emocionais básicas. Young identificou que todos os seres humanos nascem com cinco necessidades fundamentais que precisam ser atendidas de forma adequada ao longo do desenvolvimento:

NecessidadeO que significaQuando não é atendida…
Segurança e apegoSentir-se segura, cuidada e amada por pessoas estáveisSurgem esquemas de abandono, desconfiança e privação emocional
Autonomia e competênciaDesenvolver independência e confiança nas próprias capacidadesSurgem esquemas de fracasso, dependência e vulnerabilidade
Expressão de necessidadesPoder expressar sentimentos, necessidades e opiniões livrementeSurgem esquemas de subjugação e postura punitiva
Espontaneidade e prazerBrincar, se divertir e se conectar emocionalmenteSurgem esquemas de negatividade e inibição emocional
Limites e autocontroleAprender limites realistas e desenvolver autodisciplinaSurgem esquemas de grandiosidade e autocontrole insuficiente

Quando essas necessidades são bem atendidas, crescemos com uma base emocional sólida. Quando não são, desenvolvemos esquemas que tentam compensar essas falhas, mas acabam criando novos problemas.

Os 5 domínios e os 18 esquemas

Young identificou 18 esquemas desadaptativos iniciais, organizados em 5 grandes domínios. Cada domínio corresponde a uma área de necessidade emocional não atendida.

Domínio 1: Desconexão e Rejeição

Inclui esquemas ligados à dificuldade de criar vínculos seguros e estáveis. Quem carrega esses esquemas frequentemente acredita que não vai ser amada de verdade ou que será abandonada.

Esquemas: Abandono/Instabilidade, Desconfiança/Abuso, Privação Emocional, Deficiência/Vergonha, Isolamento Social

Domínio 2: Autonomia e Desempenho Prejudicados

Envolve esquemas ligados à dificuldade de funcionar de forma independente. Quem carrega esses padrões tende a se sentir incapaz, presa ou excessivamente dependente dos outros.

Esquemas: Dependência/Incompetência, Vulnerabilidade ao Dano, Emaranhamento, Fracasso

Domínio 3: Limites Prejudicados

Inclui esquemas ligados à dificuldade com limites, seja impondo aos outros ou respeitando os próprios. Podem se manifestar como egocentrismo, impulsividade ou dificuldade de comprometimento.

Esquemas: Grandiosidade/Arrogo, Autocontrole/Autodisciplina Insuficientes

Domínio 4: Orientação para o Outro

Envolve esquemas em que a pessoa coloca as necessidades dos outros sempre acima das próprias, muitas vezes à custa de si mesma.

Esquemas: Subjugação, Autossacrifício, Busca de Aprovação/Reconhecimento

Domínio 5: Supervigilância e Inibição

Inclui esquemas ligados ao excesso de controle, rigidez e supressão de sentimentos e impulsos espontâneos.

Esquemas: Negativismo/Pessimismo, Inibição Emocional, Padrões Inflexíveis, Postura Punitiva

💜 Importante: todos nós temos esquemas. A questão não é eliminá-los, mas aprender a reconhecê-los, entender de onde vieram e desenvolver novas formas de responder a eles.

Como a gente responde aos esquemas: os estilos de enfrentamento

Quando um esquema é ativado, o sistema nervoso responde automaticamente. Esse padrão de resposta é o que chamamos de estilo de enfrentamento. Young identificou três grandes estilos:

EstiloO que éExemplo prático
RendiçãoA pessoa cede ao esquema e age como se ele fosse verdadeQuem tem esquema de abandono aceita relacionamentos ruins por medo de ficar sozinha
EvitaçãoA pessoa foge das situações que ativam o esquemaQuem tem esquema de fracasso evita desafios para não se decepcionar
HipercompensaçãoA pessoa age de forma oposta ao esquema, exagerando na outra direçãoQuem tem esquema de deficiência se torna excessivamente perfeccionista para provar que é capaz

Nenhum desses estilos é “errado” em si. Os estilos de enfrentamento podem ajudar bastante a lidar com os esquemas durante a infância e adolescência, mas costumam ser prejudiciais na idade adulta, tendo em vista que podem acabar reforçando os próprios esquemas. É exatamente aí que entra o trabalho terapêutico.

Como funciona uma sessão de Terapia do Esquema na prática

A Terapia do Esquema não segue um roteiro único, mas costuma se organizar em fases que se sobrepõem ao longo do processo:

  1. Avaliação e conceituação: nas primeiras sessões, a psicóloga e a paciente constroem juntas um mapa dos esquemas presentes, muitas vezes com o auxílio do Questionário de Esquemas de Young (YSQ). Também se investiga a história de vida e as experiências da infância que podem ter originado cada esquema.
  2. Psicoeducação: a paciente aprende o que são os esquemas, como se formaram e por que continuam se repetindo. Entender o próprio esquema já é transformador — muita gente chora quando finalmente compreende de onde vem um padrão que carregou a vida toda.
  3. Trabalho emocional e relacional: aqui entram técnicas mais experienciais, como a imaginação guiada com ressignificação — em que a paciente revisita cenas da infância com o apoio do Adulto Saudável interno — e o trabalho com cadeiras, que permite dar voz a diferentes partes da personalidade.
  4. Mudança comportamental: com o esquema identificado e trabalhado emocionalmente, a psicóloga ajuda a paciente a desenvolver novas formas de responder às situações do dia a dia, substituindo os padrões antigos por comportamentos mais adaptativos.

Por se tratar de uma terapia que tem foco em padrões profundos de personalidade, sua duração costuma ser entre 2 e 3 anos, levando em conta que flexibilizar traços de personalidade pode ser bastante demorado. Mas isso varia muito de pessoa para pessoa e depende dos objetivos terapêuticos.

✅ Importante saber: a Terapia do Esquema é conduzida exclusivamente por psicólogos com formação específica nessa abordagem. No Brasil, existem institutos certificados que oferecem essa formação. Ao escolher uma psicóloga, você pode perguntar diretamente se ela tem experiência com a TE.

Para quem a Terapia do Esquema é indicada

A Terapia do Esquema foi criada inicialmente para transtornos de personalidade, mas suas aplicações foram se expandindo ao longo dos anos. Hoje ela é indicada para uma grande variedade de situações:

  • Transtornos de personalidade (especialmente borderline e narcisista)
  • Transtornos alimentares (compulsão, anorexia, bulimia)
  • Depressão crônica e ansiedade persistente
  • Dificuldades crônicas nos relacionamentos afetivos
  • Padrões repetitivos de relacionamentos disfuncionais
  • Baixa autoestima e sentimento crônico de inadequação
  • Dificuldade em estabelecer limites ou tendência a se colocar sempre por último
  • Comportamentos impulsivos que a pessoa não consegue controlar
  • Uso problemático de substâncias
  • Pessoas que passaram por traumas na infância
  • Pessoas que “já tentaram tudo” e não conseguiram mudar certos padrões

O próprio Young defende que a terapia pode beneficiar outras pessoas, que não têm transtornos, mas dificuldade em expor seus sentimentos e emoções — aquelas que têm bloqueios e negações que as impedem de se manifestar livremente.

Terapia do Esquema e transtornos alimentares

Essa é uma das conexões mais importantes para o trabalho que desenvolvo no consultório.

Transtornos alimentares como a compulsão alimentar, a anorexia e a bulimia raramente surgem do nada. Por trás de cada comportamento difícil com a comida, quase sempre há esquemas ativos, necessidades emocionais não atendidas e estilos de enfrentamento que a pessoa desenvolveu para sobreviver ao que viveu.

A comida pode ser usada como forma de rendição (comer para preencher um vazio), evitação (restringir para ter controle quando tudo parece descontrolado) ou hipercompensação (perfeicionismo alimentar extremo para compensar um esquema de deficiência). Reconhece algum desses padrões?

A Terapia do Esquema atua nessa camada mais profunda. Não se trata de ensinar a “comer certo” ou de controlar os comportamentos alimentares pela força da vontade. Trata-se de entender de onde vem a necessidade que a comida está tentando suprir, e encontrar formas mais saudáveis de atendê-la.

Para saber mais sobre como essa abordagem é aplicada especificamente aos transtornos alimentares, leia: Terapia do Esquema para transtornos alimentares: o que é e como pode te ajudar.

E se quiser entender como a psiconutrição complementa esse trabalho, temos um artigo específico sobre o tema também.

Pronta para entender seus próprios esquemas?

Se você chegou até aqui e se reconheceu em algum padrão descrito, saiba que isso não é fraqueza e nem significa que você está “quebrada”. Significa que você carregou aprendizados muito antigos que precisam ser revistos, com cuidado e com apoio. 💜

A Terapia do Esquema não é um processo fácil, mas é profundamente transformador. É um trabalho que vai além dos sintomas e alcança quem você realmente é, de onde vieram suas crenças mais íntimas e como você pode, finalmente, viver de um jeito diferente.

Como psicóloga especializada em Terapia do Esquema e psiconutrição, atendo online mulheres que querem trabalhar esses padrões emocionais profundos, especialmente quando eles se manifestam na relação com a comida e com o próprio corpo.

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Perguntas frequentes sobre Terapia do Esquema

O que são os esquemas desadaptativos?

Esquemas desadaptativos são padrões profundos de sentimentos, percepções e comportamentos que uma pessoa desenvolve quando suas necessidades emocionais básicas não foram adequadamente atendidas na infância. Eles se formam como uma espécie de “mapa interno” de como o mundo funciona, e continuam influenciando respostas emocionais e comportamentais na vida adulta, mesmo quando não fazem mais sentido.

Terapia do Esquema é o mesmo que TCC?

Não. A Terapia do Esquema parte da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mas vai muito além dela. Enquanto a TCC foca na reestruturação de pensamentos automáticos no presente, a Terapia do Esquema investiga as origens emocionais e relacionais desses pensamentos na infância, trabalhando em um nível mais profundo da personalidade. Ela também inclui técnicas experienciais, como imaginação guiada e trabalho com cadeiras, que não fazem parte da TCC tradicional.

Quanto tempo dura a Terapia do Esquema?

Por trabalhar padrões profundos de personalidade, a Terapia do Esquema costuma ter uma duração mais longa, em geral entre 1 e 3 anos. Mas isso varia muito dependendo dos objetivos terapêuticos, da história de vida de cada pessoa e da frequência das sessões. O importante é que as mudanças que ela promove tendem a ser mais duradouras do que abordagens de curto prazo.

Terapia do Esquema funciona para transtornos alimentares?

Sim. A Terapia do Esquema é uma das abordagens mais eficazes para trabalhar transtornos alimentares como compulsão, anorexia e bulimia. Isso porque ela atua nas raízes emocionais dos comportamentos difíceis com a comida, identificando os esquemas que estão por baixo dos episódios compulsivos, da restrição alimentar e da relação distorcida com o corpo.

Como saber se tenho esquemas desadaptativos?

Se você percebe que repete os mesmos padrões em relacionamentos, reage de forma intensa a certas situações sem entender por quê, sente que nunca é boa o suficiente ou tem dificuldade de estabelecer limites, é possível que esquemas desadaptativos estejam ativos. Uma avaliação com uma psicóloga treinada em Terapia do Esquema é a forma mais segura de identificar quais são os seus esquemas e como trabalhar com eles.

A Terapia do Esquema pode ser feita online?

Sim. A Terapia do Esquema pode ser realizada com a mesma eficácia no formato online, por videochamada. O Conselho Federal de Psicologia regulamenta e autoriza o atendimento psicológico remoto, e a prática tem se mostrado igualmente eficaz para a maioria das abordagens terapêuticas.


Referências: Young, J. E., Klosko, J. S., Weishaar, M. E. (2003). Schema Therapy: A Practitioner’s Guide | Edwards, D., Arntz, A. (2012). Schema therapy in historical perspective | Bamelis, L. et al. (2014). Results of a multicenter randomized controlled trial of the clinical effectiveness of schema therapy for personality disorders | Instituto de Psiquiatria do Paraná | Instituto NeuroSaber | Artmed Editora | Wikipedia — Terapia do Esquema.

Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico profissional.

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