Você já considerou fazer terapia, mas ficou sem saber exatamente o que esperar? Ou talvez já tenha até marcado uma sessão e cancelado porque não sabia como aquilo funcionava na prática?
Isso é muito mais comum do que parece. A psicoterapia ainda carrega uma série de ideias equivocadas: que é coisa de quem está em crise, que dura anos sem resultado, que você vai precisar falar de coisas que prefere esquecer. Algumas dessas ideias têm um fundo de verdade. Outras são mitos que acabam afastando as pessoas de algo que poderia ajudá-las muito.
Neste artigo, vou explicar o que é psicoterapia de forma direta, como ela funciona na prática e o que você pode esperar quando decide iniciar esse processo.
O que é psicoterapia, afinal?
Psicoterapia é um processo de cuidado da saúde mental conduzido por um psicólogo. Diferente de uma conversa com amigo ou familiar, ela acontece dentro de um método estruturado, com técnicas baseadas em evidências científicas, voltadas para ajudar a pessoa a compreender seus pensamentos, emoções e comportamentos.
O objetivo não é só “desabafar”, embora isso também faça parte. É criar um espaço de trabalho real, onde você e o psicólogo constroem juntos uma compreensão mais clara do que está acontecendo com você, e de como mudar o que precisa ser mudado.
Em termos simples: a psicoterapia ajuda a entender de onde vêm os seus padrões, por que você reage de determinadas formas, o que você carrega que já não precisa mais carregar.
Como funciona na prática?
As sessões costumam ter duração de 50 minutos a 1 hora e acontecem, na maioria dos casos, uma vez por semana. Podem ser presenciais ou online, e o sigilo é garantido em ambas as modalidades.
No início do processo, as primeiras sessões geralmente servem para que o psicólogo conheça sua história, suas queixas principais e o que você espera da terapia. É nesse momento que os dois definem juntos o que vai ser trabalhado.
Com o tempo, as sessões ganham uma dinâmica própria. Você fala sobre o que está vivendo, o que pensou durante a semana, o que apareceu. O psicólogo escuta, faz perguntas, oferece perspectivas, propõe reflexões. Em algumas abordagens, pode indicar exercícios práticos para fazer entre as sessões.
Não existe um roteiro fixo. Cada processo é diferente, porque cada pessoa é diferente.
Quais são as principais abordagens?
Existem diferentes formas de fazer psicoterapia, chamadas de abordagens ou linhas teóricas. Cada uma tem uma maneira própria de entender o ser humano e de conduzir o trabalho terapêutico. As mais comuns no Brasil incluem:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): trabalha com a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. É mais diretiva, com metas claras, e tem boa evidência científica para ansiedade, depressão e fobias.
Terapia do Esquema: derivada da TCC, aprofunda o trabalho nos padrões emocionais mais enraizados, que muitas vezes se formam na infância. É muito eficaz para quem sente que repete os mesmos ciclos nos relacionamentos ou na forma de se enxergar.
Psicanálise e psicoterapia psicanalítica: trabalha com o inconsciente, com a história de vida e com o que não está explícito nas palavras. O ritmo é mais lento, mas o mergulho é mais profundo.
Abordagem humanista: centrada na pessoa e no seu potencial de crescimento. Valoriza muito o vínculo terapêutico e a escuta sem julgamento.
Não existe abordagem melhor ou pior. O que importa é a qualidade do trabalho do profissional e a conexão entre terapeuta e paciente.
Psicoterapia é para quem?
Para qualquer pessoa que queira entender melhor a si mesma ou que esteja passando por algo difícil. Não precisa estar em crise grave para buscar terapia.
Algumas pessoas chegam com uma queixa específica: ansiedade, dificuldade nos relacionamentos, luto, baixa autoestima, decisões que travam. Outras chegam com uma sensação vaga de que algo não está bem, sem saber ao certo o quê. As duas situações são válidas.
Um dado que ajuda a colocar isso em perspectiva: as consultas em psicologia no Brasil cresceram 18,5% entre 2024 e 2025, segundo dados da plataforma Doctoralia. As pessoas estão buscando cuidado antes da crise, não só dentro dela. Isso é um avanço real.
Quanto tempo dura o processo?
Depende. Da abordagem, dos objetivos, da história de cada pessoa e do ritmo do processo.
Existem processos mais breves, com foco em um problema específico, que podem durar alguns meses. Existem processos mais longos, voltados para mudanças mais profundas, que podem levar anos. O psicólogo vai conversando com você sobre isso ao longo do caminho.
O que a pesquisa mostra é que a maioria das pessoas começa a perceber diferença antes do que imagina. O trabalho terapêutico tem efeitos que aparecem primeiro na forma como você se vê e só depois no comportamento externo.
O que a psicoterapia não é
Não é dar conselhos. O psicólogo não vai te dizer o que fazer, quem namorar ou se você deve ou não pedir demissão.
Não é só desabafo. Você pode desabafar, mas o processo vai além disso.
Não é para “casos graves”. Qualquer pessoa pode se beneficiar.
Não é medicação. A psicoterapia e o uso de medicamentos são coisas distintas. Em alguns casos, as duas coisas caminham juntas, com médico e psicólogo trabalhando em paralelo. A prescrição de remédios é sempre responsabilidade do médico.
E a terapia online, funciona mesmo?
Funciona. O Conselho Federal de Psicologia regulamentou o atendimento psicológico online e as pesquisas mostram resultados equivalentes aos do atendimento presencial para a maioria dos casos.
A principal vantagem é o acesso. Você pode fazer sessões de onde estiver, sem deslocamento, no horário que couber na sua rotina. Para muitas pessoas, isso é o que torna a terapia possível.
O sigilo, a ética e a qualidade do trabalho são os mesmos.
Por onde começar?
O primeiro passo é encontrar um psicólogo com formação adequada e CRP ativo. Você pode verificar pelo site do Conselho Federal de Psicologia (CFP) ou do Conselho Regional do seu estado.
A primeira sessão costuma ser um espaço de apresentação mútua. Você não precisa chegar com tudo organizado na cabeça. Pode chegar exatamente como está.
Se você está considerando iniciar um processo terapêutico e tem dúvidas sobre como funciona ou se faz sentido para o seu momento, estou disponível para uma conversa inicial. Atendo online para todo o Brasil.
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Aviso: Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado. Em caso de sofrimento emocional intenso, procure um profissional de saúde mental.
Ana Caroline Belekewice é psicóloga clínica, especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição. CRP 08/35178. Atende online para todo o Brasil e presencialmente em Foz do Iguaçu.


