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SOP e Compulsão Alimentar: O Que a Ciência Diz Sobre Essa Conexão

Mulher abraçando o próprio corpo — autocuidado para mulheres com SOP e compulsão alimentar

Você foi diagnosticada com SOP e percebe que sua relação com a comida ficou cada vez mais difícil de controlar? Tem episódios em que sente uma fome que parece não ter fim, mesmo depois de comer bem? Talvez já tenha ouvido em algum lugar que SOP e compulsão alimentar têm uma relação — e queira entender, com calma, o que realmente acontece.

Se sim, você não está sozinha. Essa é uma das queixas mais frequentes no consultório, e por trás dela existe muito mais do que falta de força de vontade ou descuido com a saúde.

A Síndrome dos Ovários Policísticos atinge entre 6% e 13% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a Organização Mundial da Saúde. E a ciência tem mostrado, nos últimos anos, que SOP e compulsão alimentar caminham juntas em uma proporção significativa dos casos — o que pode te ajudar a fazer mais sentido do que você está vivendo, sem culpa.

O que é SOP e compulsão alimentar — e por que isso importa

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino caracterizado por desequilíbrio hormonal, resistência à insulina e, em muitos casos, alteração na ovulação. Os sintomas costumam incluir ciclos menstruais irregulares, acne, queda de cabelo, hirsutismo (excesso de pelos), dificuldade para engravidar e, frequentemente, ganho de peso ou dificuldade para emagrecer.

A compulsão alimentar, por outro lado, é caracterizada por episódios em que a pessoa ingere uma quantidade grande de comida em um período curto de tempo, com sensação clara de perda de controle. Quando esses episódios acontecem com frequência (pelo menos uma vez por semana, por três meses ou mais), o quadro pode ser classificado como Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), conforme descrito no DSM-5, o manual diagnóstico de referência da Associação Americana de Psiquiatria.

Pesquisas publicadas em revistas científicas como o Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Eating Behaviors e Fertility and Sterility mostram que mulheres com SOP têm risco significativamente maior de apresentar transtornos alimentares — especialmente compulsão alimentar e bulimia — em comparação com mulheres sem o diagnóstico. Uma meta-análise publicada em 2017 na Human Reproduction Update encontrou que essa relação se mantém mesmo quando outros fatores, como peso e idade, são considerados.

Isso não é coincidência. E entender o porquê é o primeiro passo para sair desse ciclo de tentativa, frustração e culpa que muitas mulheres vivem em silêncio por anos.

Estudos brasileiros, como os conduzidos pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também têm reforçado essa associação no nosso contexto: a prevalência de transtornos alimentares em mulheres com SOP no Brasil pode ser até três vezes maior do que na população geral. Esses dados não estão aqui para te assustar — pelo contrário. Eles servem para mostrar que, se você se identifica com isso, há uma explicação científica, e há também caminhos possíveis de cuidado.

Por que existe uma conexão tão forte entre SOP e comportamento alimentar

A relação entre a síndrome e as dificuldades com a comida não é simples. Ela envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais que, juntos, criam um terreno fértil para essa luta diária.

Do lado biológico, a resistência à insulina — presente em cerca de 70% das mulheres com SOP, segundo dados da Endocrine Society — afeta diretamente os mecanismos de fome e saciedade. Quando a insulina está cronicamente elevada, o cérebro tem mais dificuldade em ler os sinais de saciedade, e isso pode gerar uma sensação de fome quase constante, mesmo após uma refeição completa. Além disso, a SOP está associada a alterações em hormônios como leptina e grelina, que regulam apetite e saciedade, e em neurotransmissores ligados ao prazer e à recompensa, como a dopamina.

Do lado psicológico, lidar com um diagnóstico que afeta o corpo, a fertilidade e a aparência costuma trazer impactos importantes na autoestima e na imagem corporal. Muitas mulheres com SOP relatam, no consultório:

  • Sentimento de “luta constante” contra o próprio corpo
  • Tentativas repetidas de dietas muito restritivas que terminam em compulsão
  • Vergonha do corpo, do peso e dos sintomas visíveis (como acne e pelos)
  • Ansiedade, sintomas depressivos e isolamento social
  • Distorção da imagem corporal
  • Sensação de fracasso pessoal por não conseguir “se controlar”

Esses fatores formam o que costumo chamar, no atendimento, de “círculo do esgotamento alimentar”: o desequilíbrio hormonal aumenta a fome → vem a tentativa de controle pela dieta restritiva → o corpo reage com compulsão → vem a culpa intensa → e essa culpa alimenta novas tentativas de restrição ainda mais rígidas. E o ciclo recomeça, mês após mês, ano após ano.

Há ainda um componente social importante: a pressão estética sobre o corpo das mulheres, somada ao discurso médico que muitas vezes reduz o cuidado com a SOP a “perder peso”, pode aumentar muito a relação conflituosa com a comida. Não é raro mulheres saírem de consultas se sentindo ainda piores consigo mesmas — e isso, sozinho, já é razão suficiente para olhar para o lado emocional dessa história.

Como a psicologia trata essa relação

O tratamento da relação entre SOP e dificuldades alimentares precisa, idealmente, ser integrado: envolve ginecologista, endocrinologista, nutricionista e psicólogo trabalhando em conjunto. Cada profissional cuida de uma parte do quadro, mas todos olham para a mesma pessoa, com a mesma história.

Do ponto de vista psicológico, abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Terapia do Esquema e o Mindful Eating têm respaldo na literatura científica para o tratamento da compulsão alimentar e dos comportamentos alimentares disfuncionais. O trabalho não é, em momento nenhum, “te ensinar a comer menos” — é, antes de tudo, te ajudar a entender o que está alimentando o ciclo de restrição e compulsão para, a partir daí, construir uma relação mais possível com a comida e com o próprio corpo.

Em geral, o trabalho psicoterapêutico envolve identificar gatilhos emocionais, trabalhar crenças rígidas sobre corpo e alimentação (“preciso ser magra para valer”, “se eu sair da dieta, falhei”), lidar com a culpa pós-episódio sem afundar nela, e desenvolver estratégias de autorregulação emocional que não passem por restrição rígida ou autoexigência punitiva. Não existe um manual único, e o ritmo é sempre o ritmo de cada pessoa.

No caso específico da relação entre SOP e compulsão alimentar, o trabalho psicológico costuma também envolver psicoeducação sobre o funcionamento hormonal — porque entender o que está acontecendo no próprio corpo ajuda a sair do lugar de “eu sou o problema” e ir para um lugar de “existe uma engrenagem maior aqui, e posso aprender a lidar com ela”. Esse deslocamento muda muita coisa.

É importante reforçar uma coisa: a psicoterapia não é uma solução isolada para a SOP. Ela é uma parte fundamental de um cuidado mais amplo que inclui o acompanhamento médico e nutricional adequado. Sem essa rede, qualquer trabalho fica incompleto. E também sem o cuidado emocional, o tratamento médico-nutricional pode esbarrar nas mesmas paredes invisíveis de sempre.

Como saber se é hora de buscar ajuda?

Alguns sinais podem indicar que vale a pena procurar acompanhamento psicológico:

  • Você tem episódios frequentes de comer com sensação clara de descontrole
  • A culpa após comer ocupa uma parte importante e exaustiva do seu dia
  • A relação com a comida tem afetado sua vida social, profissional, sexual ou afetiva
  • Você já tentou várias dietas e o ciclo continua se repetindo
  • O seu corpo virou um campo de batalha — e você está cansada de lutar contra ele
  • O diagnóstico de SOP veio acompanhado de muita ansiedade, tristeza ou desesperança

A psicoterapia não promete que vai ser fácil ou rápido. Mas é um espaço para entender o que está por trás dessa relação com a comida — e para construir, aos poucos e com respeito ao seu tempo, uma relação diferente com o seu corpo, com a sua história e com o cuidado que você merece ter consigo mesma.

Se quiser saber mais sobre como funciona o meu trabalho, entre em contato e conversamos.

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Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico, médico ou nutricional individualizado.

Ana Caroline Belekewice — Psicóloga CRP 08/35178
Especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição | Atendimento online para mulheres

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Sobre a Carol

Psicóloga especialista em psiconutrição e alimentação emocional. Atendo online mulheres no Brasil e exterior.

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