Arquivo de Terapia do Esquema - Psicóloga Ana Caroline https://anacarolinepsico.com.br/category/terapia-do-esquema/ Psicologia online Tue, 07 Jul 2026 19:19:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://anacarolinepsico.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Design-sem-nome-3-150x150.png Arquivo de Terapia do Esquema - Psicóloga Ana Caroline https://anacarolinepsico.com.br/category/terapia-do-esquema/ 32 32 Burnout Feminino e Alimentação Emocional: A Conexão Que Ninguém Está Falando https://anacarolinepsico.com.br/burnout-feminino-e-alimentacao-emocional/ Tue, 07 Jul 2026 19:19:19 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/?p=3874 Psi. Ana Caroline Belekewice | CRP 08/35178 Burnout feminino e alimentação emocional estão mais conectados do que a maioria das pessoas imagina. A mulher que está no limite, que dá conta de tudo mas não aguenta mais, que chega em casa exausta e vai direto à geladeira sem saber bem por quê, ela não está...

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Psi. Ana Caroline Belekewice | CRP 08/35178

Burnout feminino e alimentação emocional estão mais conectados do que a maioria das pessoas imagina. A mulher que está no limite, que dá conta de tudo mas não aguenta mais, que chega em casa exausta e vai direto à geladeira sem saber bem por quê, ela não está vivendo dois problemas separados. Está vivendo dois sintomas da mesma sobrecarga.

Essa conexão raramente aparece nas conversas sobre esgotamento. Fala-se muito do burnout. Fala-se muito da compulsão alimentar. Mas o fio que une os dois, o mecanismo que faz com que o esgotamento crônico se manifeste tão frequentemente através da comida, esse ainda é pouco discutido e pouco compreendido.

Se você está exausta, se sente que nos dias mais pesados a comida aparece como a única coisa que oferece algum alívio, este artigo é para você. Vamos entender o que está acontecendo, por que burnout feminino e alimentação emocional caminham juntos com tanta frequência e o que esse padrão está comunicando sobre o que você realmente precisa.

O que é burnout feminino e por que ele é diferente

Burnout não é cansaço. Todo mundo fica cansado. Burnout é um esgotamento profundo, físico, emocional e cognitivo, que resulta de um estresse crônico que nunca encontrou alívio suficiente. É o estado em que o corpo e a mente simplesmente param de conseguir se recuperar entre uma demanda e outra.

A Organização Mundial da Saúde reconheceu o burnout como fenômeno ocupacional em 2019, e os dados do Brasil são alarmantes: os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024 no país, e as mulheres são desproporcionalmente afetadas.

Por quê? Porque o burnout feminino raramente vem só do trabalho. Ele vem da sobreposição de papéis que ainda recai de forma muito desigual sobre as mulheres: a carreira, a casa, os filhos, o cuidado com os pais, a disponibilidade emocional para o parceiro, os compromissos sociais. Estudos mostram que apenas 26% dos homens trabalhadores auxiliam nas tarefas domésticas, enquanto 63% das mulheres trabalhadoras acumulam essa responsabilidade. Nos cuidados com os filhos, a diferença é ainda maior: 19% dos homens contra 66% das mulheres.

Em outras palavras, a mulher em burnout não está esgotada só pelo trabalho. Está esgotada por uma vida inteira sendo cobrada para dar conta de tudo, ao mesmo tempo, sem reclamar e ainda manter o sorriso.

Burnout feminino e alimentação emocional: por que os dois aparecem juntos

Aqui está o ponto central que precisa ser entendido: burnout feminino e alimentação emocional compartilham a mesma raiz. As duas condições são respostas a um estado de esgotamento emocional que não encontrou outra saída.

Quando o sistema nervoso está cronicamente sobrecarregado, como acontece no burnout, ele busca formas de se regular. E uma das formas mais rápidas, mais acessíveis e mais eficientes de ativar o sistema de recompensa do cérebro e baixar temporariamente o nível de cortisol, o hormônio do estresse, é comer. Especialmente alimentos ricos em açúcar, gordura e sal, que disparam a liberação de dopamina e criam uma sensação imediata de alívio.

Esse mecanismo não é fraqueza. É biologia respondendo a uma sobrecarga que não foi tratada.

Um estudo com trabalhadoras mostrou que 77,7% das participantes em risco de burnout apresentavam alimentação emocional como padrão predominante, ou seja, comer motivado por emoções e não por fome física. A conexão entre esgotamento e comportamento alimentar emocional é direta, consistente e respaldada pela pesquisa científica.

A mulher em burnout usa a alimentação emocional porque a comida faz o que mais nada está conseguindo fazer naquele momento: oferece um instante de prazer, de descanso, de algo que é só dela numa vida em que tudo pertence a todo mundo.

Como o burnout feminino aparece na relação com a comida

O burnout não transforma a relação com a comida de uma hora para outra. Ele vai instalando mudanças graduais que muitas mulheres só percebem quando o padrão já está bem estabelecido.

Reconheça se você se identifica com algum desses:

  • Nos dias de mais pressão, a vontade de comer é mais intensa e mais difícil de resistir
  • Os alimentos que você busca nesses momentos são específicos: doces, ultraprocessados, comidas que você considera “proibidas”
  • A comida funciona como pausa, como recompensa, como o único momento do dia em que você para de dar e começa a receber algo, mesmo que seja só uma barra de chocolate
  • Depois de comer, vem a culpa, a promessa de compensar amanhã, e no dia seguinte o ciclo recomeça
  • Você não sente fome física na maioria das vezes em que come dessa forma. Come porque está exausta, irritada, precisando de alguma coisa boa

Se você se reconheceu aqui, o que está acontecendo não é falta de disciplina alimentar. É fome emocional sendo alimentada pelo esgotamento do burnout feminino.

O papel do cortisol na conexão entre burnout e alimentação emocional

O cortisol é o hormônio do estresse. No burnout, ele fica cronicamente elevado, o que tem efeitos diretos e documentados no comportamento alimentar.

Cortisol elevado aumenta o apetite, especialmente para alimentos calóricos. Isso acontece porque evolutivamente, o estresse significava uma ameaça física que exigia energia. O corpo não sabe distinguir entre o estresse de fugir de um predador e o estresse de uma reunião difícil, uma pilha de tarefas e um filho doente ao mesmo tempo. Ele responde da mesma forma: pede combustível.

Além disso, o cortisol crônico interfere no sono, e privação de sono aumenta a grelina, o hormônio da fome, e diminui a leptina, o hormônio da saciedade. O resultado prático é que a mulher em burnout chega na noite com o corpo biologicamente pedindo mais comida, especialmente a mais calórica disponível, e com o sistema de controle de impulsos já esgotado depois de horas de demanda cognitiva e emocional.

Não é acaso. É fisiologia. E entender isso muda completamente a forma como a mulher se vê nesse padrão, tirando o peso da culpa individual e colocando a questão onde ela realmente está: numa sobrecarga que precisa de atenção urgente.

Por que burnout feminino e alimentação emocional formam um ciclo difícil de romper

O que torna essa combinação especialmente difícil de sair é que os dois se retroalimentam de forma silenciosa e progressiva.

O burnout feminino leva à alimentação emocional. A alimentação emocional, especialmente quando vem seguida de culpa e promessas de restrição, acrescenta mais uma camada de autocobrança numa vida que já está sobrecarregada de cobranças. Essa autocobrança gera mais estresse. Mais estresse alimenta o burnout. E o burnout continua pedindo alívio através da comida.

Enquanto isso, muitas mulheres continuam tentando resolver o problema alimentar sem resolver o problema do esgotamento. Fazem dietas no meio do burnout, se culpam por não conseguir manter, sentem que falharam mais uma vez, e acrescentam esse fracasso percebido à lista de coisas que não estão dando conta.

Isso não é falha pessoal. É tentar resolver um sintoma sem tratar a causa.

Como explico no artigo sobre o ciclo restrição-compulsão, cada nova tentativa de restrição alimentar em cima de um estado de esgotamento tende a intensificar o comportamento compulsivo, não a reduzi-lo. O corpo sob estresse crônico não tolera privação. Ele vai buscar o que precisa, de uma forma ou de outra.

Os sinais de que você pode estar vivendo burnout feminino

O burnout feminino muitas vezes se disfarça. A mulher continua funcionando, continua cumprindo suas obrigações, continua aparecendo para todo mundo. Por isso o diagnóstico demora. Ela mesma não percebe que chegou no limite porque passou anos treinando para não parecer que chegou no limite.

Alguns sinais que merecem atenção:

  • Você acorda cansada, mesmo após dormir bem
  • A sensação de esgotamento não passa com o descanso
  • Pequenas coisas que antes você dava conta agora parecem demandar um esforço desproporcional
  • Você se sente emocionalmente distante, anestesiada, sem conseguir se conectar com o que antes te dava prazer
  • Sua paciência chegou no limite e você reage de formas que não são suas em momentos que não deveriam ser tão difíceis
  • A comida virou um dos únicos momentos em que você sente algum prazer ou alívio genuíno no dia
  • Você pensa muito em comida, especialmente à noite, e depois se culpa por isso

Se vários desses pontos se aplicam ao seu momento atual, vale considerar que o que está acontecendo vai além do comportamento alimentar. O comportamento alimentar é o sintoma. O burnout feminino pode ser a causa.

O que não funciona quando burnout feminino e alimentação emocional estão juntos

Preciso ser direta sobre isso porque muitas mulheres perdem meses ou anos tentando caminhos que não chegam perto do problema real.

Começar uma dieta nova no meio do burnout não funciona. Ela vai exigir do seu sistema de autorregulação um recurso que já está completamente esgotado. E quando esse recurso acabar, como vai acabar, o episódio compulsivo vai ser proporcional à restrição que veio antes. A culpa depois de comer vai reforçar a sensação de fracasso, e o ciclo vai continuar.

Tentar se controlar mais também não funciona. O autocontrole é um recurso finito que se esgota especialmente rápido em condições de estresse crônico. Pedir mais autocontrole para uma mulher em burnout é como pedir mais produção para uma máquina que está falhando. A solução não é mais pressão. É cuidado.

Ignorar os sinais do corpo e continuar empurrando também não resolve. O burnout não se resolve com mais esforço. Ele se resolve com parada, com cuidado e com a construção de um suporte que permita que a sobrecarga diminua de verdade.

O que realmente ajuda quando burnout feminino e alimentação emocional coexistem

Tratar o esgotamento como prioridade, não como luxo

Enquanto o burnout não for endereçado, a alimentação emocional vai continuar porque está cumprindo uma função real: é a única forma de alívio que a pessoa encontrou numa vida sem espaço para descanso genuíno.

Isso significa olhar com seriedade para a sobrecarga. O que está tomando mais energia do que deveria? O que você está carregando que não é exclusivamente seu para carregar? Onde há espaço para delegar, para pedir ajuda, para dizer não?

Reconhecer a fome emocional sem julgamento

Quando a vontade de comer aparece fora de horário, sem fome física, especialmente nos momentos de mais pressão ou exaustão, parar e perguntar: “O que eu estou sentindo agora?” Esgotamento? Solidão? Frustração? Sobrecarga?

Nomear a emoção não faz ela desaparecer, mas interrompe o piloto automático. E interromper o piloto automático é o primeiro passo para ter mais escolha sobre como responder ao que está sentindo. Esse processo se conecta ao que trabalhamos na abordagem de psiconutrição: entender o que está por baixo do comportamento alimentar para construir respostas mais eficazes.

Não iniciar restrição alimentar durante o burnout

Esse é um ponto que vai contra o instinto de muitas mulheres, mas que é fundamental. O período de burnout não é o momento de começar uma dieta, de cortar grupos alimentares ou de aumentar as restrições. É o momento de comer de forma nutritiva e suficiente, sem pressão adicional, para oferecer ao corpo o combustível que ele precisa enquanto se recupera da sobrecarga.

Buscar suporte profissional especializado

Burnout feminino combinado com alimentação emocional é um quadro que se beneficia imensamente de acompanhamento psicológico especializado. A Terapia do Esquema, abordagem que utilizo no consultório, permite identificar quais padrões emocionais estão sustentando tanto o esgotamento quanto o comportamento alimentar, quais esquemas de autoexigência, de subjugação ou de privação emocional estão fazendo com que a mulher continue dando mesmo quando não tem mais nada a dar.

Esse trabalho não é sobre aprender a comer melhor. É sobre entender por que você chegou até aqui, o que está te impedindo de parar antes do limite e como construir uma relação com você mesma que não exija esgotamento total para ser validada. Se você sente que chegou nesse ponto, vale ler sobre quando buscar terapia e o que esperar desse processo.

Para terminar

A mulher que está em burnout e usa a alimentação emocional como alívio não é fraca. Não é sem disciplina. Não é irresponsável com a própria saúde.

Ela é alguém que aprendeu a dar muito e a pedir pouco. Que foi treinada para aguentar. Que encontrou na comida a única coisa que ninguém pode tirar dela num dia em que tudo pertence a todo mundo.

O problema não é a comida. O problema é a sobrecarga. E a solução não é mais restrição. É mais cuidado, mais suporte e a permissão de que as suas necessidades também importam.

Psi. Ana Caroline Belekewice | CRP 08/35178
Psicóloga especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição
Atendimento online para mulheres

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O que é vigorexia: quando o exercício e a alimentação viram obsessão https://anacarolinepsico.com.br/o-que-e-vigorexia-quando-o-exercicio-e-a-alimentacao-viram-obsessao/ Mon, 04 May 2026 00:02:59 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/o-que-e-vigorexia-quando-o-exercicio-e-a-alimentacao-viram-obsessao/ Você já se viu medindo cada caloria que entra no prato e cada minuto que passa na academia, sentindo culpa quando deixou de treinar ou comeu algo “fora do plano”? Já se olhou no espelho e, por mais músculos que tivesse, ainda enxergou um corpo pequeno demais, mole demais, insuficiente? Se sim, você não está...

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Você já se viu medindo cada caloria que entra no prato e cada minuto que passa na academia, sentindo culpa quando deixou de treinar ou comeu algo “fora do plano”? Já se olhou no espelho e, por mais músculos que tivesse, ainda enxergou um corpo pequeno demais, mole demais, insuficiente?

Se sim, você não está sozinha. Esse padrão tem nome — e não é simplesmente “ser disciplinada” ou “amar treinar”. Pode ser um sinal de vigorexia, também conhecida como dismorfia muscular.

Entender o que é vigorexia é o primeiro passo para reconhecer um sofrimento que costuma se esconder atrás da imagem de uma rotina “saudável”, de uma dieta “limpa” e de um corpo cada vez mais trabalhado. Neste artigo, vou explicar como esse transtorno funciona, por que ele tem crescido entre mulheres e como a psicologia pode ajudar.

O que é vigorexia — e por que ela é mais comum do que se imagina

O termo vigorexia foi proposto na década de 1990 pelo psiquiatra Harrison Pope e colaboradores, que descreveram um padrão clínico em pessoas que treinavam compulsivamente e que, mesmo com corpos hipertrofiados, continuavam se enxergando como pequenas e fracas. Esse quadro passou a ser chamado de “dismorfia muscular”.

No DSM-5, o manual diagnóstico mais usado no mundo, a vigorexia não aparece como um transtorno isolado. Ela é classificada como um especificador do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), categoria mais ampla que reúne pessoas que sofrem com a percepção distorcida de partes do próprio corpo. No caso da vigorexia, a fixação está em ser “musculoso o suficiente” ou “definido o suficiente”.

O que define o quadro não é treinar muito ou cuidar do corpo. É o sofrimento, a rigidez e o prejuízo na vida que acompanham essa busca. A pessoa pode passar horas calculando macronutrientes, recusar compromissos sociais para não furar a dieta, sentir ansiedade intensa quando perde um treino e organizar toda a vida em torno do corpo — sem nunca chegar a um ponto em que se sinta satisfeita.

Por muito tempo, a vigorexia foi associada quase exclusivamente a homens. Mas a literatura mais recente mostra um aumento expressivo entre mulheres, especialmente em contextos em que corpos “fitness”, “lean”, “shape” ou “musculados” passaram a ser apresentados como sinônimos de saúde, beleza e disciplina nas redes sociais.

Vigorexia: sinais, sintomas e como ela se manifesta

Reconhecer a vigorexia não é simples, justamente porque muitos dos seus sinais são socialmente premiados. Quem se exercita todos os dias, quem segue uma dieta extremamente regrada e quem acompanha cada centímetro do corpo costuma ouvir elogios — não preocupação. Por isso, é importante observar não apenas o que a pessoa faz, mas o que ela sente quando não consegue fazer.

Alguns sinais que costumam aparecer no quadro:

  • Treinar mesmo doente, lesionada ou exausta, com forte sensação de culpa ao perder um dia de academia.
  • Manter dietas muito restritivas e/ou extremamente focadas em proteína, com angústia diante de qualquer alimento “fora do plano”.
  • Verificar o corpo no espelho repetidamente ao longo do dia (ou evitar espelhos por completo) por causa da insatisfação.
  • Sentir-se pequena, “murcha” ou “fora de forma”, mesmo recebendo elogios e tendo um corpo musculoso ou em boa forma física.
  • Reduzir contato social, viagens e momentos com a família para não atrapalhar a rotina de treino e alimentação.
  • Uso excessivo de suplementos, queimadores de gordura, anabolizantes ou diuréticos sem orientação médica.
  • Comparações constantes com outras pessoas em redes sociais, sobretudo perfis fitness, com piora do humor após o uso prolongado.
  • Oscilações importantes de humor relacionadas ao desempenho na academia e à aparência do corpo.

É fundamental lembrar: nenhum item dessa lista, isolado, configura um diagnóstico. Diagnóstico é construção clínica e cabe a profissionais qualificados. O que essa lista pode oferecer é um convite para se observar com mais cuidado e, se necessário, procurar ajuda.

Vigorexia em mulheres: o lado pouco falado do problema

Durante muitos anos, a vigorexia foi descrita como um problema “masculino”, ligado ao ideal do corpo grande e musculoso. Hoje, sabemos que ela também acontece em mulheres — e, com frequência, é confundida com “estilo de vida saudável”, “amor pelo treino” ou “vida fitness”.

Em mulheres, o quadro pode aparecer com algumas particularidades. A busca não é apenas por hipertrofia, mas por um corpo “seco”, “definido”, com músculos visíveis e baixíssimo percentual de gordura. A obsessão pode incluir cálculo minucioso de calorias, jejuns prolongados, treinos diários e ciclos repetidos de “shape” para competições, ensaios fotográficos ou metas pessoais.

Esse padrão muitas vezes coexiste com outros transtornos alimentares e com sintomas de ansiedade e depressão. Em alguns casos, a alteração hormonal causada pela restrição calórica e pelo excesso de exercício pode levar à perda de menstruação (amenorreia hipotalâmica funcional), perda de densidade óssea, queda de cabelo e fadiga crônica.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) tem reforçado, em publicações recentes, a importância de olhar para os efeitos da cultura digital sobre a saúde mental das mulheres, incluindo o impacto de padrões corporais inalcançáveis disseminados em redes sociais. A vigorexia, nesse contexto, deixa de ser uma “questão individual” e passa a ser entendida também como um sofrimento moldado por pressões sociais.

Como a psicologia trata a vigorexia

A psicoterapia é uma das principais formas de cuidado para a vigorexia, geralmente associada a acompanhamento médico (especialmente psiquiátrico e, quando necessário, endocrinológico) e a um profissional de nutrição com leitura comportamental e sensível a transtornos alimentares.

No trabalho psicológico, alguns pontos costumam ser centrais:

  • Compreender a função do corpo na história da pessoa: em muitos casos, o investimento extremo no corpo é uma tentativa de lidar com sentimentos de inadequação, vergonha ou descontrole vividos em outras áreas da vida.
  • Trabalhar a relação com a imagem corporal: esse trabalho não busca “convencer” a pessoa de que ela está certa ou errada sobre o próprio corpo, mas ajudá-la a perceber como está se enxergando, quais filtros internos estão ativos e o que esses filtros estão tentando proteger.
  • Flexibilizar regras alimentares e de treino: aos poucos, com apoio profissional, é possível experimentar pequenas mudanças de rotina e observar o que aparece em termos de ansiedade, culpa e humor.
  • Revisitar crenças sobre valor e merecimento: abordagens como a Terapia do Esquema podem ajudar a identificar padrões precoces — por exemplo, esquemas de Padrões Inflexíveis, Defectividade ou Busca por Aprovação — que sustentam essa relação rígida com o corpo.
  • Construir uma rede de cuidado: grupos de apoio, vínculos afetivos saudáveis e profissionais que conversam entre si fazem diferença ao longo do processo.

É importante reforçar: nenhuma abordagem promete “cura rápida” ou resultado garantido. A recuperação de quadros que envolvem corpo, alimentação e identidade é, em geral, um processo gradual, com avanços e recuos. O que a psicoterapia oferece é um espaço para que esse processo possa acontecer com mais consciência, menos solidão e mais autocompaixão.

Como saber se é hora de buscar ajuda?

Não existe um “limite oficial” para procurar ajuda. Em geral, vale considerar acompanhamento psicológico quando o cuidado com o corpo deixa de ser uma parte da vida e passa a organizar toda a vida — quando treinos, alimentação e aparência tomam o lugar das suas relações, do seu trabalho, dos seus momentos de descanso e do seu prazer cotidiano.

Também é um bom momento de buscar ajuda quando há sofrimento intenso ligado ao corpo, quando familiares e amigos demonstram preocupação, quando há uso de substâncias para “ficar em forma” ou quando começam a aparecer sinais físicos de sobrecarga, como lesões frequentes, alterações menstruais, cansaço extremo e mudanças de humor.

A psicoterapia não promete que vai ser fácil ou rápido. Mas é um espaço para entender o que está por trás dessa busca tão exigente pelo corpo “ideal” — e para construir, aos poucos, uma relação diferente com a alimentação, com o exercício e consigo mesma.

Se quiser saber mais sobre como funciona o meu trabalho, entre em contato e conversamos.

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Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico, médico ou nutricional individualizado.

Ana Caroline Belekewice — Psicóloga CRP 08/35178
Especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição | Atendimento online para mulheres

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Imagem corporal: como reconstruir a relação com o próprio corpo https://anacarolinepsico.com.br/imagem-corporal-como-reconstruir-a-relacao-com-o-proprio-corpo/ Thu, 30 Apr 2026 15:06:29 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/imagem-corporal-como-reconstruir-a-relacao-com-o-proprio-corpo/ Você já se olhou no espelho e desejou que o corpo refletido fosse outro? Já adiou comprar uma roupa, ir à praia ou tirar fotos esperando “estar melhor” para se permitir aparecer? Se sim, você não está sozinha. A relação que muitas mulheres têm com a própria imagem corporal é marcada por desconforto, comparação e...

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Você já se olhou no espelho e desejou que o corpo refletido fosse outro? Já adiou comprar uma roupa, ir à praia ou tirar fotos esperando “estar melhor” para se permitir aparecer?

Se sim, você não está sozinha. A relação que muitas mulheres têm com a própria imagem corporal é marcada por desconforto, comparação e autocrítica. E, embora isso seja extremamente comum, não significa que precise ser assim para sempre.

Eu sou a psicóloga Ana Caroline Belekewice, atendo mulheres em terapia online com foco em comportamento alimentar, autoestima e Terapia do Esquema. Neste artigo, quero conversar sobre como a imagem corporal se forma, por que ela tantas vezes vira fonte de sofrimento, e o que a psicologia oferece quando alguém quer reconstruir uma relação mais respeitosa com o próprio corpo.

O que é imagem corporal — e por que isso importa

Imagem corporal é a representação mental que cada pessoa constrói sobre o próprio corpo. Ela envolve três dimensões principais: o que você pensa sobre seu corpo, o que sente em relação a ele e como age a partir dessas percepções (evita ou não fotos, escolhe ou não certas roupas, fala ou não sobre o corpo nas conversas).

O DSM-5, manual diagnóstico de referência em saúde mental, descreve a perturbação da imagem corporal como elemento central de quadros como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno dismórfico corporal. Mas é importante dizer: nem todo desconforto com o corpo é transtorno. É possível sofrer com a própria imagem sem preencher critérios diagnósticos — e ainda assim viver com sofrimento real, que merece atenção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a percepção corporal influencia diretamente a saúde mental, o comportamento alimentar e a qualidade de vida. Quando o que vejo no espelho não combina com o que sinto sobre mim mesma, costuma surgir um conflito que se manifesta de várias formas: comer demais, comer de menos, evitar fotos, evitar saídas, postergar momentos importantes “até emagrecer”.

Como a cultura constrói o desconforto com o corpo

Vivemos em uma cultura que ensina, desde cedo, que o corpo da mulher é um projeto a ser ajustado, controlado, melhorado. Esse ensinamento chega antes mesmo de termos vocabulário para reconhecê-lo: através de comentários sobre o corpo da mãe, da avó, das mulheres da família, da menina ao lado.

Pesquisas brasileiras publicadas em revistas de psicologia e nutrição mostram que mulheres relatam insatisfação corporal em índices significativamente mais altos do que homens, e que essa insatisfação tende a aparecer ainda na infância. Estudos com adolescentes brasileiras mostram que muitas já desejavam emagrecer antes dos 12 anos.

Algumas das frases que mais escuto no consultório:

  • “Eu era magra na adolescência, mas mesmo assim achava que tinha que emagrecer mais.”
  • “Já tentei várias dietas. Sempre volto pior.”
  • “Não consigo me sentir bonita em fotos. Apago todas.”
  • “Espero emagrecer para começar a viver.”

Esses pensamentos não surgem do nada. Eles são, em boa parte, fruto de um ambiente que coloca o corpo da mulher como tarefa permanente — uma tarefa que nunca termina, porque sempre falta um centímetro, um tom de pele, uma idade. Redes sociais ampliam esse efeito ao oferecer um fluxo contínuo de corpos editados, filtrados, comparáveis.

Sinais de que a relação com seu corpo está adoecida

Nem todo incômodo com o corpo precisa de tratamento, mas alguns padrões merecem atenção mais cuidadosa:

  • Pensar no corpo todos os dias, várias vezes ao dia, com sofrimento
  • Evitar atividades importantes (trabalho, encontros, viagens, intimidade) por causa da aparência
  • Adiar a vida com a frase “quando eu emagrecer…”
  • Pesar-se compulsivamente ou se medir várias vezes ao dia
  • Olhar-se no espelho e enxergar partes isoladas, sem conseguir ver o corpo como um todo
  • Punir-se com restrição, exercício excessivo ou autocrítica intensa após comer
  • Evitar fotografias, espelhos ou roupas justas como regra

Quando esses padrões estão presentes de forma persistente, é importante considerar acompanhamento profissional. Sofrimento crônico com a imagem corporal pode ser parte de transtornos alimentares ou do transtorno dismórfico corporal — e merece ser olhado com cuidado por uma equipe que pode envolver psicóloga, médica e nutricionista.

Como a psicologia trabalha a reconstrução da imagem corporal

Reconstruir a relação com o próprio corpo é um processo lento, e nenhum profissional sério pode garantir resultados ou prazos específicos. O que a psicoterapia oferece é um espaço para investigar de onde vêm essas crenças, entender como elas se sustentam no presente e construir, aos poucos, uma relação mais funcional com o corpo.

Na prática clínica, alguns elementos costumam fazer parte desse trabalho:

  • Reconhecer a história da relação com o corpo: que mensagens foram recebidas na infância? Quais experiências marcaram a forma como você se vê hoje?
  • Identificar crenças centrais: muitas vezes, o desconforto com o corpo carrega convicções como “só sou amada quando estou magra” ou “meu valor depende da minha aparência”.
  • Trabalhar gatilhos: comparações em redes sociais, comentários de familiares, espelhos, balança, vestiários.
  • Cuidar do corpo, não apenas controlá-lo: aprender a perceber sinais de fome, saciedade, cansaço, prazer, em vez de seguir só regras externas.
  • Construir vivências corporais positivas: dança, movimento prazeroso, contato físico saudável, atividades em que o corpo é sentido — não apenas avaliado.

A Terapia do Esquema, abordagem com a qual trabalho, costuma ser muito útil nesses casos. Ela ajuda a identificar padrões aprendidos cedo na vida — como “padrões inflexíveis”, “merecimento condicional” ou “vergonha/inadequação” — que sustentam a relação difícil com o corpo. Ao reconhecer e ressignificar esses esquemas, fica mais possível construir uma relação que não dependa tanto do espelho ou da balança.

O papel da psiconutrição

A psiconutrição, abordagem que une psicologia e nutrição comportamental, também faz diferença quando o sofrimento com a imagem corporal afeta o comportamento alimentar. Em vez de focar em dietas e regras rígidas, ela busca devolver à pessoa a autonomia para se alimentar com flexibilidade, prazer e respeito ao próprio corpo.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) reforça que o trabalho psicológico nessa área deve ser sempre individualizado, baseado em evidências e centrado na pessoa — nunca em padrões estéticos. Isso significa que a meta da terapia não é fazer você “amar seu corpo” da noite para o dia, mas construir, com tempo, uma relação mais respeitosa, funcional e suportável.

Pequenos passos para começar hoje

Mesmo antes de iniciar a terapia, alguns gestos simples podem aliviar a relação com a imagem corporal no dia a dia. Eles não substituem acompanhamento profissional, mas já reduzem o nível de cobrança e abrem espaço para uma escuta diferente.

  • Reduza a exposição a conteúdos que adoecem: revise quem você segue nas redes sociais e silencie o que ativa comparação automática.
  • Diminua a frequência da balança: se pesar todo dia tende a alimentar o ciclo de cobrança. Experimente espaçar e observar como se sente.
  • Repare em micromomentos de gentileza com o corpo: uma roupa confortável, um banho calmo, um alongamento, uma pausa. Esses pequenos registros ajudam a reconstruir, aos poucos, uma relação menos hostil.
  • Cuidado com o vocabulário: a forma como você fala do próprio corpo molda como você se sente nele.

Esses passos não fecham o tema. São apenas portas de entrada para algo que tende a precisar de tempo, paciência e, em muitos casos, ajuda profissional.

Como saber se é hora de buscar ajuda?

Se a relação com seu corpo está atrapalhando sua vida — se você se isola, evita situações importantes, sofre todos os dias com isso, ou se a alimentação se tornou um problema — vale procurar um profissional. Não é preciso esperar chegar a um quadro grave. Quanto antes começar, mais espaço de manobra existe para construir uma relação diferente com o corpo.

A psicoterapia não promete que vai ser fácil ou rápido. Mas é um espaço para entender de onde veio essa relação difícil com o corpo — e para construir, aos poucos, um jeito diferente de habitar o próprio corpo, menos pautado por crítica e mais por cuidado.

Se quiser saber mais sobre como funciona o meu trabalho, entre em contato e conversamos.

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Comer Escondido: Por Que Tantas Mulheres Fazem Isso https://anacarolinepsico.com.br/comer-escondido-por-que-tantas-mulheres-fazem-isso/ Thu, 23 Apr 2026 15:50:41 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/comer-escondido-por-que-tantas-mulheres-fazem-isso/ Você já terminou o almoço em família, despediu-se de todos com um sorriso — e, algumas horas depois, se pegou sozinha na cozinha ou no carro, comendo escondido aquilo que não permitiu comer na frente dos outros? Se sim, você não está sozinha. Comer escondido é uma experiência muito mais comum entre mulheres do que...

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Você já terminou o almoço em família, despediu-se de todos com um sorriso — e, algumas horas depois, se pegou sozinha na cozinha ou no carro, comendo escondido aquilo que não permitiu comer na frente dos outros?

Se sim, você não está sozinha. Comer escondido é uma experiência muito mais comum entre mulheres do que costumamos falar, e ela carrega uma mistura silenciosa de vergonha, alívio, culpa e ansiedade que consome muita energia emocional.

Neste artigo, quero conversar com você sobre o hábito de comer escondido: por que ele acontece, o que está por trás desse comportamento e como a psicoterapia pode te ajudar a construir uma relação mais tranquila e honesta com a comida. Não é sobre força de vontade — é sobre um sofrimento psíquico que merece ser escutado.

O que é comer escondido — e por que isso importa

Comer escondido é o comportamento de consumir alimentos longe dos olhos das outras pessoas, geralmente acompanhado de um sentimento de vergonha ou de medo de ser julgada. Pode acontecer na cozinha em pé, no banheiro, no carro, dentro do quarto, depois que todos vão dormir, ou em qualquer lugar em que a pessoa se sente “protegida” do olhar do outro.

Apesar de não ser um diagnóstico formal listado no DSM-5 (o Manual Diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria), esse padrão aparece com frequência em quadros de compulsão alimentar, comer emocional e outros transtornos alimentares. É também um comportamento que muitas mulheres relatam mesmo sem um diagnóstico clínico — o que mostra que ele atravessa uma parcela grande da experiência feminina com a comida.

Por que isso importa? Porque o comer escondido quase nunca é só sobre comida. Ele costuma ser um sintoma de algo maior: uma relação com o próprio corpo, com o desejo e com o julgamento social que foi sendo moldada por anos de cultura da dieta, comentários sobre peso, comparações e regras impossíveis.

Sinais de que o comer escondido está te fazendo sofrer

Nem todo episódio de comer sozinha é problemático. Existe uma diferença importante entre fazer um lanche tranquilo de madrugada e viver um padrão de sofrimento. Alguns sinais que costumo observar no consultório — e que também aparecem na literatura científica sobre comportamento alimentar:

  • Sentimento intenso de culpa ou vergonha depois de comer.
  • Esconder embalagens, restos ou evidências do que foi consumido.
  • Planejar momentos em que estará sozinha para poder comer em paz.
  • Comer em quantidade maior do que gostaria, em um curto período de tempo.
  • Sensação de perda de controle durante o episódio.
  • Evitar refeições sociais ou reduzir deliberadamente a comida em público.
  • Ansiedade antecipatória ao pensar em comer na frente de outras pessoas.
  • Relato repetido de “começar tudo de novo na segunda-feira”.

Quanto mais esses sinais aparecem juntos e com frequência, maior a chance de haver um sofrimento psíquico pedindo cuidado — e não apenas uma “falha de disciplina”.

Por que tantas mulheres comem escondidas?

Quando trago esse tema com minhas pacientes, quase sempre surgem histórias semelhantes, mesmo vindas de mulheres com trajetórias muito diferentes. Na minha leitura clínica, alguns fatores ajudam a explicar por que esse comportamento é tão comum entre nós:

1. Cultura da dieta e moralização da comida. Crescemos em uma sociedade que divide alimentos em “bons” e “ruins”, e que associa certos corpos a sucesso e disciplina. Comer publicamente algo considerado “errado” pode parecer, inconscientemente, um ato de falha moral — o que gera o impulso de esconder.

2. Comentários sobre o corpo ao longo da vida. Muitas mulheres ouviram, desde a infância, observações sobre o que “deviam” ou “não deviam” comer, ou sobre o peso. Essas falas marcam, e o olhar do outro acaba sendo internalizado como uma voz crítica que permanece mesmo quando ninguém está por perto.

3. Tentativas repetidas de controle. Dietas restritivas e planos alimentares rígidos costumam criar uma pressão interna enorme. Quando essa pressão cede, vem a compensação — frequentemente em segredo, porque “ninguém pode ver”.

4. Comida como regulação emocional. Para muitas mulheres, a comida funciona como um canal para acessar alívio, prazer, consolo ou uma pequena pausa no dia. Quando esse é o único recurso disponível, ele vira quase um “espaço privado” que a pessoa protege de qualquer julgamento.

5. Sobrecarga mental e afetiva. A rotina de muitas mulheres envolve cuidar de tudo e de todos. Comer escondido, em silêncio, pode ser uma forma de ter um momento só seu — ainda que cheio de sofrimento.

O que pode estar por trás: uma leitura a partir da Terapia do Esquema

Na minha prática, trabalho bastante com a Terapia do Esquema, uma abordagem que entende que nossos padrões emocionais atuais foram moldados em experiências antigas — especialmente da infância e adolescência.

Algumas dinâmicas que observo com frequência por trás do padrão de comer escondido:

  • Sensação de que os próprios desejos e necessidades não podem aparecer (esquema de subjugação).
  • Crença profunda de “eu sou diferente” ou “eu sou menos” (esquema de defectividade/vergonha).
  • Padrões inflexíveis: “eu preciso ser perfeita, sempre, inclusive na alimentação”.
  • Privação emocional: pouca experiência de acolhimento e cuidado verdadeiros ao longo da vida.
  • Autossacrifício: viver cuidando dos outros e reservando para si só aquilo que ninguém vai ver.

Olhando por esse ângulo, o comer escondido deixa de ser “falta de disciplina” e passa a ser entendido como uma estratégia que a pessoa encontrou, em algum momento da história dela, para lidar com a vida — com os meios emocionais que tinha disponíveis.

Como a psicologia pode ajudar quem come escondido

A psicoterapia não oferece uma receita mágica nem uma promessa de resultados rápidos. O que ela oferece é um espaço seguro para olhar, de forma honesta e sem julgamento, para a própria relação com a comida e com as emoções.

No trabalho psicoterapêutico, alguns movimentos costumam ser importantes:

  • Mapear os gatilhos emocionais que antecedem os episódios de comer escondido.
  • Entender quais necessidades afetivas a comida está tentando atender naquele momento.
  • Revisar as crenças sobre alimentação, corpo, disciplina e valor pessoal.
  • Desenvolver novas estratégias de regulação emocional que não dependam exclusivamente da comida.
  • Construir, aos poucos, a possibilidade de comer com mais presença e menos ansiedade, inclusive diante de outras pessoas.
  • Trabalhar a autocompaixão — um dos recursos mais importantes para sair do ciclo culpa-vergonha-compensação.

De acordo com as diretrizes éticas do Conselho Federal de Psicologia (CFP), esse trabalho é sempre individualizado e precisa respeitar o ritmo de cada pessoa. Em muitos casos, o acompanhamento em conjunto com uma nutricionista com formação em comportamento alimentar potencializa os resultados, sempre dentro de uma lógica de cuidado integrado e não restritivo.

Como saber se é hora de buscar ajuda?

Não existe uma régua objetiva que diga “a partir daqui, você precisa de terapia”. Mas alguns indicativos podem sinalizar que vale a pena iniciar um acompanhamento psicológico:

  • Você sente vergonha recorrente da sua relação com a comida.
  • Percebe que comer escondido se tornou um hábito frequente.
  • Sente que a comida ocupa um espaço grande demais nos seus pensamentos.
  • Já tentou várias vezes “controlar” sozinha, sem sucesso duradouro.
  • A forma como você come afeta sua autoestima, seu humor ou seus relacionamentos.

Pedir ajuda não é fraqueza. É uma forma de reconhecer que você está cansada de carregar algo sozinha — e que existe uma outra forma de se relacionar com a comida, mais leve e mais humana.

A psicoterapia não promete que vai ser fácil ou rápido. Mas é um espaço para entender de onde vem a necessidade de comer escondido — e para construir, aos poucos, uma relação diferente com a comida, com o próprio corpo e com o seu direito de existir sem precisar se esconder.

Se quiser saber mais sobre como funciona o meu trabalho, entre em contato e conversamos.

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Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico, médico ou nutricional individualizado.

Ana Caroline Belekewice — Psicóloga CRP 08/35178
Especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição | Atendimento online para mulheres

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Anorexia Nervosa: Sinais de Alerta e o Caminho da Recuperação https://anacarolinepsico.com.br/anorexia-nervosa-sinais-de-alerta-e-o-caminho-da-recuperacao/ Wed, 22 Apr 2026 16:23:05 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/anorexia-nervosa-sinais-de-alerta-e-o-caminho-da-recuperacao/ Você já se viu olhando para o prato com medo do que estava nele? Já se pegou contando calorias obsessivamente, evitando refeições, sentindo que seu corpo nunca está “bom o suficiente” — mesmo quando as pessoas ao redor dizem que você está magra demais? Se sim, você não está sozinha. Esse padrão, quando se intensifica...

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Você já se viu olhando para o prato com medo do que estava nele? Já se pegou contando calorias obsessivamente, evitando refeições, sentindo que seu corpo nunca está “bom o suficiente” — mesmo quando as pessoas ao redor dizem que você está magra demais?

Se sim, você não está sozinha. Esse padrão, quando se intensifica e começa a comprometer a saúde física e emocional, pode ser um sinal de anorexia nervosa.

A anorexia nervosa é um dos transtornos alimentares mais sérios que existem — e também um dos mais mal compreendidos. Os sinais de alerta da anorexia nervosa costumam surgir de forma gradual, disfarçados de “disciplina” ou “cuidado com a saúde”. Por isso, reconhecê-los precocemente faz toda a diferença no processo de recuperação.

O que é anorexia nervosa — e por que os sinais são tão difíceis de ver

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado pela restrição severa da ingestão de alimentos, medo intenso de ganhar peso e uma percepção distorcida da própria imagem corporal. Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição), o diagnóstico envolve três critérios principais: restrição da ingestão calórica levando a um peso significativamente baixo, medo intenso de engordar e distorção da imagem corporal ou falta de reconhecimento da gravidade do baixo peso atual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos alimentares afetam cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, e a anorexia nervosa tem uma das maiores taxas de mortalidade entre todos os transtornos psiquiátricos. Estudos estimam que entre 0,3% e 1% da população feminina será afetada em algum momento da vida, com início mais frequente na adolescência e no início da vida adulta.

O que torna os sinais tão difíceis de identificar é que, muitas vezes, a pessoa com anorexia nervosa não reconhece o problema. A distorção da imagem corporal — um sintoma central do transtorno — faz com que ela se enxergue como “gorda” mesmo quando está abaixo do peso. Além disso, em uma cultura que frequentemente elogia a magreza e a restrição alimentar como sinais de disciplina e autocontrole, os comportamentos da anorexia nervosa podem passar despercebidos por muito tempo — tanto para a própria pessoa quanto para quem está ao redor.

Anorexia nervosa: sinais de alerta que você não pode ignorar

Os sinais de alerta da anorexia nervosa podem aparecer em três dimensões: comportamental, emocional e física. Reconhecê-los cedo — em você mesma ou em alguém próximo — é o primeiro passo para buscar ajuda.

Sinais comportamentais:

  • Restrição extrema da quantidade e variedade dos alimentos consumidos
  • Rituais rígidos ao redor das refeições (cortar o alimento em pedaços muito pequenos, reorganizar o prato de forma específica, comer em ordem específica)
  • Evitar refeições em grupo ou criar justificativas para não comer na frente de outras pessoas
  • Prática excessiva e compulsiva de exercícios físicos, mesmo quando cansada ou doente
  • Uso de roupas largas para esconder o corpo ou verificação frequente do próprio corpo no espelho
  • Pesagem frequente e obsessão com os números da balança

Sinais emocionais:

  • Insatisfação intensa e persistente com o próprio corpo, mesmo com peso abaixo do ideal
  • Medo excessivo e irracional de ganhar peso ou de comer determinados alimentos
  • Irritabilidade, isolamento social e dificuldade de concentração
  • Sensação de controle ou poder associada à restrição alimentar
  • Negação da gravidade do problema, mesmo diante de evidências físicas preocupantes

Sinais físicos:

  • Perda de peso significativa e progressiva
  • Fraqueza muscular, tontura e episódios de desmaio
  • Queda de cabelo, pele ressecada e unhas quebradiças
  • Ausência de menstruação (amenorreia) por três meses ou mais
  • Sensação constante de frio, mesmo em ambientes aquecidos
  • Inchaço abdominal ou desconforto após consumir pequenas quantidades de alimento

É importante lembrar que a anorexia nervosa não tem “uma cara”. Nem toda pessoa com esse transtorno está visivelmente abaixo do peso — e isso não torna o sofrimento menos real nem menos sério.

Por que a anorexia nervosa acontece? Entendendo os fatores de risco

A anorexia nervosa não tem uma causa única. Ela surge da interação entre fatores genéticos, psicológicos, familiares e socioculturais — e entender essa complexidade é fundamental para afastar o preconceito de que é “frescura” ou “escolha”.

Do ponto de vista psicológico, pessoas com perfeccionismo elevado, baixa autoestima, dificuldade de expressar emoções e histórico de traumas têm maior vulnerabilidade para desenvolver o transtorno. Na Terapia do Esquema — abordagem que utilizo no meu trabalho clínico — é comum identificar esquemas como “padrões excessivos” e “defectividade/vergonha” no núcleo emocional de muitas mulheres com anorexia nervosa. Esses esquemas foram formados na infância, a partir de experiências de crítica excessiva, alta exigência ou falta de acolhimento emocional.

Culturalmente, vivemos em um ambiente que associa magreza a valor, disciplina e sucesso. Mensagens de redes sociais, programas de dieta e comentários de familiares sobre o corpo podem reforçar crenças disfuncionais sobre alimentação e imagem corporal. Isso não significa que a cultura “causa” a anorexia nervosa diretamente — mas ela pode funcionar como gatilho em pessoas biologicamente predispostas.

Há também evidências sólidas de componentes genéticos e neurobiológicos: pesquisas indicam que pessoas com histórico familiar de transtornos alimentares têm risco significativamente maior de desenvolvê-los, e que alterações na regulação de neurotransmissores como serotonina e dopamina podem estar envolvidas no desenvolvimento e na manutenção do transtorno.

Como a psicologia trata a anorexia nervosa

A anorexia nervosa exige tratamento multidisciplinar. Psicólogos, nutricionistas e médicos precisam trabalhar de forma integrada para garantir tanto a recuperação física quanto a emocional. Nos casos mais graves, com risco à vida, pode ser necessária hospitalização ou acompanhamento intensivo em serviços especializados.

No âmbito psicológico, as abordagens com maior respaldo científico incluem a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia do Esquema. A TCC ajuda a identificar e questionar os pensamentos automáticos e as crenças disfuncionais relacionados ao corpo, ao peso e à alimentação. Já a Terapia do Esquema trabalha as raízes emocionais mais profundas — os padrões relacionais e de enfrentamento formados na infância que continuam influenciando o comportamento adulto.

No processo terapêutico, trabalhamos aspectos como a reconstrução da imagem corporal e da identidade, a regulação emocional, o manejo do medo em torno dos alimentos, o fortalecimento dos vínculos e do autocuidado, e o processamento de experiências dolorosas que possam estar na base do transtorno.

A recuperação da anorexia nervosa é possível. Estudos longitudinais indicam que, com tratamento adequado e suporte contínuo, entre 40% e 60% das pessoas alcançam recuperação completa ao longo do tempo. O processo é gradual e não é linear — há avanços e momentos de dificuldade, e isso é esperado. O que importa é não estar sozinha nessa caminhada.

Como saber se é hora de buscar ajuda?

Se você se identificou com algum dos sinais descritos neste artigo — seja em relação a você mesma ou a alguém que ama — isso é um sinal importante. Não é preciso estar no “pior momento possível” para pedir ajuda. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação.

A psicoterapia não promete que vai ser fácil ou rápido. Mas é um espaço para entender o que está por baixo da relação com a comida e com o próprio corpo — e para construir, aos poucos, uma relação diferente consigo mesma.

Se quiser saber mais sobre como funciona o meu trabalho, entre em contato e conversamos.

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Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico, médico ou nutricional individualizado.

Ana Caroline Belekewice — Psicóloga CRP 08/35178
Especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição | Atendimento online para mulheres

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Burnout em mulheres: sinais que você não pode ignorar https://anacarolinepsico.com.br/burnout-em-mulheres/ Mon, 13 Apr 2026 12:16:14 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/?p=3650 Por Ana Caroline Belekewice | CRP 08/35178 Você já chegou ao fim de uma semana tão esgotada que nem o fim de semana foi suficiente para descansar? Não foi uma semana atípica, foi mais uma semana igual a todas as outras: trabalho, casa, filhos, cobranças. E aquela sensação persistente de que você está sempre devendo,...

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Por Ana Caroline Belekewice | CRP 08/35178

Você já chegou ao fim de uma semana tão esgotada que nem o fim de semana foi suficiente para descansar? Não foi uma semana atípica, foi mais uma semana igual a todas as outras: trabalho, casa, filhos, cobranças. E aquela sensação persistente de que você está sempre devendo, sempre atrasada, sempre insuficiente.

Isso não é só cansaço. Pode ser burnout. E se você é mulher, as chances de estar passando por isso são significativamente maiores do que imagina.

O que é burnout, de verdade?

A Síndrome de Burnout é um estado de esgotamento físico, emocional e mental causado por estresse crônico, principalmente relacionado ao trabalho. Ela tem três características centrais: exaustão intensa, distanciamento afetivo do que você faz e sensação de que nada do que você produz tem valor.

Não se trata de preguiça, fraqueza ou frescura. A Organização Mundial da Saúde reconheceu o burnout oficialmente na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional. No Brasil, desde 2025, essa classificação passou a valer integralmente, consolidando o burnout como uma questão de saúde pública.

Os números são sérios: em 2024, mais de 472 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais no país, segundo o Ministério da Previdência Social. Entre esses casos, os relacionados ao burnout cresceram mais de 1.000% em apenas um ano.

Por que o burnout atinge mais as mulheres?

Os dados são consistentes e vêm de fontes diferentes. Estudos brasileiros registrados no DATASUS entre 2014 e 2024 mostram que mais de 71% dos casos de burnout notificados no país ocorreram em mulheres, a maioria entre 35 e 49 anos.

Esse número não é coincidência. Existe uma estrutura por trás dele. Segundo dados do IBGE, as mulheres brasileiras dedicam em média 21,4 horas semanais a tarefas domésticas e cuidados com pessoas, enquanto os homens dedicam, em média, 11 horas. Ou seja, depois de uma jornada de trabalho fora de casa, a maioria das mulheres entra imediatamente em um segundo turno, não remunerado, invisível e sem horário para terminar.

Além da dupla jornada, existe a pressão para ser produtiva no trabalho, presente em casa, boa mãe, boa filha e parceira disponível. No mercado profissional, as mulheres ainda precisam provar sua competência de formas que os homens simplesmente não enfrentam. Uma pesquisa com mais de 4.400 profissionais revelou que 66% das mulheres em cargos de alta gestão já apresentam burnout completo. Entre as que ocupam cargos intermediários, quase metade se encontra no mesmo estado.

Em resumo, o esgotamento não escolhe cargo. Ele escolhe quem carrega mais.

Burnout ou cansaço comum? Como diferenciar

Todo mundo cansa. O problema começa quando o descanso deixa de funcionar.

O cansaço comum passa depois de uma boa noite de sono ou de um fim de semana tranquilo. O burnout, por outro lado, não responde ao descanso da mesma forma. Você acorda cansada, sai de férias cansada e termina o dia já sentindo que não tem mais nada para dar.

Alguns sinais merecem atenção especial. A exaustão que não passa com repouso é o primeiro deles: a sensação de estar no limite vira o estado padrão, não a exceção. Junto a isso, é comum aparecer dificuldade de concentração e memória, com esquecimentos simples e lentidão para terminar tarefas que antes eram automáticas.

Outro sinal frequente é a irritabilidade fora do comum, em que pequenas situações disparam reações que surpreendem até você mesma. Ao mesmo tempo, pode surgir um distanciamento emocional do trabalho: as tarefas são feitas no automático, o sentido do que se faz desaparece e a indiferença toma o lugar do engajamento.

No corpo, os avisos também aparecem. Dores de cabeça frequentes, tensão muscular, problemas para dormir, alterações no apetite e queda na imunidade costumam surgir antes de a mente aceitar o que está acontecendo. Por fim, a sensação constante de insuficiência fecha o quadro: não importa o quanto se faça, nunca parece suficiente.

Se você está se reconhecendo em vários desses pontos, isso é um sinal importante para parar e prestar atenção.

Por que tantas mulheres demoram para perceber

Muitas mulheres chegam ao consultório sem saber que estão em burnout. Chegam acreditando que estão sendo fracas, que precisam se esforçar mais, que qualquer outra pessoa daria conta daquilo que elas não conseguem mais suportar.

Existe uma naturalização perigosa do esgotamento feminino. Frases como “toda mãe é assim”, “é fase” ou “você sempre foi ansiosa” atrasam o reconhecimento do problema e o pedido de ajuda, seja porque vêm de fora ou da própria cabeça da mulher que sofre.

Segundo dados do Ministério da Saúde, menos de 12% das mulheres com sintomas de burnout buscaram atendimento especializado no SUS em 2024. Isso significa que o problema real é muito maior do que os números oficiais conseguem capturar.

Burnout tem tratamento

Sim, e o principal pilar é a psicoterapia. O acompanhamento psicológico ajuda a entender o que alimenta o esgotamento, a reconhecer os padrões que levaram até ali e a construir limites que antes pareciam impossíveis. Com o tempo, também reorganiza a relação com o trabalho, com os outros e com você mesma.

Em alguns casos, o acompanhamento médico também é necessário, especialmente quando há sintomas mais intensos de ansiedade ou depressão associados. A combinação entre psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico, quando indicada, tende a produzir resultados mais rápidos e consistentes.

O que não funciona é ignorar. Sem cuidado adequado, o burnout não passa sozinho. Ao contrário, tende a se aprofundar com o tempo.

Quando procurar ajuda?

Antes que chegue na crise. Essa é a resposta mais honesta que posso dar.

Se você está se reconhecendo nos sinais descritos aqui, se percebe que o cansaço virou o seu estado padrão ou se a irritabilidade e a indiferença estão ocupando um espaço que antes era seu, isso já é motivo suficiente para buscar apoio. Procurar ajuda antes do colapso não é exagero. É prevenção.

Se quiser conversar sobre como o acompanhamento psicológico pode ajudar no seu caso, estou disponível para uma conversa inicial. Atendo online para todo o Brasil.

👉 Fale comigo pelo WhatsApp

Aviso: Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado. Em caso de sofrimento emocional intenso, procure um profissional de saúde mental.

Ana Caroline Belekewice é psicóloga clínica, especialista em Terapia do Esquema e Psiconutrição. CRP 08/35178. Atende online para todo o Brasil e presencialmente em Foz do Iguaçu.

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Terapia do Esquema: O Que É, Como Funciona e Para Quem Indicar https://anacarolinepsico.com.br/terapia-do-esquema-guia-completo/ Thu, 26 Mar 2026 11:00:00 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/?p=3496 Você já se pegou repetindo os mesmos padrões nos relacionamentos, no trabalho, na forma como se vê, mesmo sem querer? Já se perguntou por que certas situações sempre te afetam de um jeito desproporcional, como se tocassem em algo muito antigo dentro de você? Se sim, você talvez já tenha sentido o que a psicologia...

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Você já se pegou repetindo os mesmos padrões nos relacionamentos, no trabalho, na forma como se vê, mesmo sem querer? Já se perguntou por que certas situações sempre te afetam de um jeito desproporcional, como se tocassem em algo muito antigo dentro de você?

Se sim, você talvez já tenha sentido o que a psicologia chama de esquemas desadaptativos. É exatamente sobre isso que a Terapia do Esquema trabalha.

Neste artigo, vou te explicar de forma clara e acessível o que é essa abordagem, como ela funciona na prática, para quem é indicada e por que ela tem se mostrado tão eficaz para pessoas que sentem que “já tentaram de tudo” mas continuam presas nos mesmos ciclos.

Neste artigo:


O Que É a Terapia do Esquema?

A Terapia do Esquema é uma abordagem psicoterápica desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Jeffrey Young a partir da década de 1990. Young percebeu que muitos pacientes com transtornos crônicos, como dificuldades persistentes nos relacionamentos, baixa autoestima profunda ou padrões repetitivos de sofrimento, não respondiam adequadamente à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tradicional.

Ele então desenvolveu um modelo mais aprofundado, que vai além dos pensamentos disfuncionais do momento presente e chega até as raízes mais profundas do sofrimento emocional: os padrões formados na infância e adolescência.

Em resumo: a Terapia do Esquema é uma abordagem integrativa que reúne elementos da TCC, da Gestalt, da Teoria do Apego e da Psicanálise, com foco em identificar e transformar padrões emocionais e cognitivos profundos que foram aprendidos cedo na vida e que continuam influenciando quem somos até hoje.

O Que São os Esquemas?

Na Terapia do Esquema, um esquema é um padrão profundo e estável de percepção, emoção e comportamento sobre si mesmo e sobre o mundo. Pense nele como um “roteiro interno”: uma história que você aprendeu a contar sobre quem você é, o que merece, como os outros vão te tratar.

Esses padrões se formam cedo, em geral na infância, como uma resposta adaptativa ao ambiente em que a criança cresceu. O problema é que eles podem continuar ativos na vida adulta, mesmo quando o contexto já mudou completamente.

Por exemplo: uma criança que cresceu em um ambiente emocionalmente imprevisível pode desenvolver um esquema de abandono, uma sensação interna de que as pessoas que ela ama sempre vão embora. Na vida adulta, esse esquema pode fazer com que ela fique hipervigilante em relacionamentos, com medo constante de ser deixada, mesmo em uma relação segura e amorosa.

O esquema não é uma “falha de caráter”. É uma estrutura psicológica que fez sentido em algum momento e que agora precisa ser reconhecida e transformada.

⚠ Nota: este artigo é informativo e educativo. A identificação de esquemas e o trabalho terapêutico devem ser feitos com acompanhamento profissional habilitado. O conteúdo aqui não substitui avaliação psicológica.

Como os Esquemas Se Formam?

Os esquemas desadaptativos se formam quando necessidades emocionais básicas da criança não são atendidas de forma consistente. Jeffrey Young identificou algumas dessas necessidades centrais:

  • Vínculo seguro: sentir-se amada, protegida, pertencente
  • Autonomia e competência: poder explorar o mundo com segurança
  • Expressão de necessidades e emoções: ter espaço para sentir e se comunicar
  • Limites realistas: aprender a lidar com frustrações e responsabilidades
  • Espontaneidade e prazer: ter leveza e alegria na infância

Quando essas necessidades são frustradas de forma repetida, seja por negligência, superproteção, crítica excessiva, traumas ou instabilidade familiar, a criança desenvolve esquemas como estratégia de sobrevivência psicológica. O problema é que esses esquemas costumam se manter ativos muito além do momento em que foram úteis.

Os 18 Esquemas Desadaptativos: Você Se Reconhece em Algum?

Young identificou 18 esquemas desadaptativos, organizados em 5 grandes domínios. Veja os mais comuns e como eles podem se manifestar no dia a dia:

Domínio 1: Desconexão e Rejeição

Relacionado à dificuldade de estabelecer vínculos seguros e estáveis.

  • Abandono: medo constante de ser deixada, mesmo em relações estáveis
  • Desconfiança/Abuso: expectativa de que as pessoas vão machucar ou explorar
  • Privação Emocional: sensação de que ninguém realmente cuida ou entende
  • Defectividade/Vergonha: sentir-se fundamentalmente inadequada ou indigna de amor
  • Isolamento Social: sentir-se diferente e não pertencente a nenhum grupo

Domínio 2: Autonomia e Desempenho Prejudicados

Relacionado à dificuldade de funcionar de forma independente e competente.

  • Fracasso: crença de que vai falhar em qualquer área importante
  • Dependência/Incompetência: sensação de não conseguir lidar com o dia a dia sem ajuda
  • Vulnerabilidade: medo excessivo de que algo ruim vai acontecer a qualquer momento

Domínio 3: Limites Prejudicados

Relacionado à dificuldade em estabelecer limites saudáveis com si mesmo e com os outros.

  • Grandiosidade: crença de ser especial e de que regras não se aplicam a si
  • Autocontrole/Autodisciplina Insuficientes: dificuldade em tolerar frustrações e manter disciplina

Domínio 4: Direcionamento para o Outro

Relacionado a colocar as necessidades dos outros acima das próprias de forma excessiva.

  • Subjugação: suprimir as próprias necessidades para evitar conflito ou abandono
  • Autossacrifício: cuidar dos outros em detrimento de si mesma, frequentemente com ressentimento
  • Busca de Aprovação: necessidade intensa de validação externa para se sentir bem

Domínio 5: Supervigilância e Inibição

Relacionado à supressão das próprias emoções e necessidades por rigidez ou hipervigilância.

  • Negatividade/Pessimismo: foco excessivo nos aspectos negativos da vida
  • Inibição Emocional: dificuldade em expressar emoções, especialmente as positivas
  • Padrões Inflexíveis/Hipercriticismo: exigência excessiva de si mesma e dos outros
  • Punitividade: dificuldade em perdoar erros, os próprios e os alheios

É importante saber que a maioria das pessoas apresenta alguns esquemas ativos. Isso não significa patologia. O sofrimento aparece quando esses esquemas são muito intensos, rígidos e dominam as escolhas de vida.

O Que São os Modos do Esquema?

Além dos esquemas, a Terapia do Esquema trabalha com o conceito de modos: estados emocionais que a pessoa “entra” em determinados momentos, especialmente quando um esquema é ativado.

Pense nos modos como “partes” de você que assumem o controle em situações de gatilho. Alguns exemplos:

  • Criança Vulnerável: o estado de dor emocional profunda, tristeza, medo, solidão
  • Criança Raivosa: raiva intensa quando necessidades não são atendidas
  • Protetor Distante: desconexão emocional como defesa (“não sinto nada”)
  • Pai Crítico Internalizado: a voz interna severa e punitiva
  • Adulto Saudável: o estado equilibrado que a terapia busca fortalecer

O trabalho com os modos permite identificar em qual “parte” você está em cada momento e desenvolver a capacidade de se mover em direção ao Adulto Saudável, que consegue cuidar das outras partes com compaixão e equilíbrio.

Como Funciona a Terapia do Esquema na Prática?

A Terapia do Esquema é um processo aprofundado e individualizado. De forma geral, o trabalho se desenvolve em algumas etapas:

1. Avaliação e psicoeducação

Nas primeiras sessões, o objetivo é entender a história de vida da pessoa, identificar os esquemas mais ativos e começar a construir o mapa de como esses padrões influenciam o presente. Muitas pessoas relatam um grande alívio nessa fase: finalmente ter um nome e uma explicação para aquilo que sempre sentiram.

2. Trabalho emocional e cognitivo

O processo terapêutico une técnicas cognitivas (questionar e reestruturar crenças) com técnicas emocionais (como o trabalho com imaginação guiada e a cadeira vazia, oriundos da Gestalt). Essa combinação é o que diferencia a Terapia do Esquema de abordagens apenas racionais.

3. Trabalho na relação terapêutica

Um conceito central da abordagem é o reparentamento limitado: a terapeuta oferece, dentro dos limites éticos da relação profissional, algo do que faltou ao longo do desenvolvimento, como segurança, validação e acolhimento. Isso não substitui os vínculos da vida real, mas cria uma experiência corretiva importante.

4. Mudança comportamental

À medida que os esquemas e modos são reconhecidos e trabalhados emocionalmente, o processo avança para mudar os padrões de comportamento no dia a dia: nas relações, no trabalho, na forma de se cuidar.

Para Quem a Terapia do Esquema É Indicada?

A Terapia do Esquema tem indicação especialmente para pessoas que:

  • Sentem que repetem os mesmos padrões nos relacionamentos, mesmo reconhecendo o ciclo
  • Têm dificuldade persistente com autoestima, mesmo com conquistas objetivas
  • Apresentam dificuldade em estabelecer ou manter vínculos afetivos saudáveis
  • Sentem que “já tentaram outras terapias” mas não chegaram às raízes do problema
  • Têm transtornos de personalidade ou traços caracterológicos que impactam a vida
  • Vivenciam sofrimento emocional crônico, como ansiedade persistente, vazio ou tristeza profunda
  • Têm histórico de relações difíceis na infância, como crítica excessiva, abandono emocional ou negligência
  • Apresentam dificuldades na relação com a comida associadas a questões emocionais profundas

Ela também pode ser muito útil para pessoas que não têm um diagnóstico específico mas sentem que algo “mais antigo” está na base do sofrimento atual.

Diferença Entre Terapia do Esquema e TCC Tradicional

Uma dúvida comum é: qual a diferença para a TCC que eu já ouvi falar?

A Terapia Cognitivo-Comportamental tradicional trabalha principalmente com os pensamentos e comportamentos do momento presente. É altamente eficaz para transtornos como ansiedade e depressão episódica, e costuma ser mais breve.

A Terapia do Esquema vai mais fundo: ela trabalha com o nível mais profundo da cognição, as crenças nucleares sobre si mesmo e o mundo, e integra fortemente o trabalho emocional e o histórico de desenvolvimento. É uma abordagem de médio a longo prazo, especialmente indicada quando os padrões são crônicos e persistentes.

As duas abordagens não são rivais e muitas vezes se complementam. A Terapia do Esquema, inclusive, nasceu como uma expansão da TCC.

Quanto Tempo Dura o Processo?

Por trabalhar com padrões formados ao longo de toda uma história de vida, a Terapia do Esquema é uma abordagem de médio a longo prazo. A duração varia significativamente de pessoa para pessoa, dependendo da intensidade dos esquemas, dos objetivos terapêuticos e do histórico de cada uma.

Não existe um prazo fixo nem garantias de resultados. O ritmo é sempre individual e construído em conjunto entre paciente e terapeuta. O que se pode dizer é que, com consistência e comprometimento, mudanças reais e duradouras são possíveis.

A Terapia do Esquema Funciona Online?

Sim. O atendimento online em Terapia do Esquema é plenamente possível e reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Técnicas como imaginação guiada, trabalho com modos e reestruturação cognitiva podem ser conduzidas com igual profundidade no formato remoto.

Para muitas mulheres, o atendimento online representa uma possibilidade real de acessar esse cuidado: sem deslocamento, com flexibilidade de horário e no conforto do próprio espaço.

Trabalho com Terapia do Esquema em atendimentos online para mulheres em todo o Brasil e no exterior. Se você se identificou com o que leu aqui e quer entender como esse processo poderia se aplicar à sua história, estou disponível para uma conversa inicial.

Ana Caroline Belekewice, Psicóloga CRP 08/35178
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Considerações Finais

A Terapia do Esquema parte de uma premissa simples e profundamente humana: muito do nosso sofrimento adulto tem raízes em necessidades que não foram atendidas quando éramos crianças. E esses padrões, embora antigos, podem ser reconhecidos, compreendidos e transformados.

Esse processo não é rápido nem linear, mas é possível. Pessoas que passaram a vida inteira se sentindo “defeituosas”, “abandonáveis” ou “nunca suficientes” podem, com apoio profissional adequado, construir uma relação muito mais compassiva e estável consigo mesmas.

Se você quiser saber mais sobre como os esquemas podem estar influenciando sua relação com a comida, vale ler também: Terapia do Esquema para Transtornos Alimentares.

E se a ansiedade faz parte da sua história, este artigo pode te ajudar: Ansiedade em Mulheres: O Que É e Como a Psicoterapia Pode Ajudar.


Ana Caroline Belekewice, Psicóloga CRP 08/35178
Atendimento psicológico online com foco em Terapia do Esquema e Psiconutrição.
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, baseado em evidências científicas. Não constitui diagnóstico, aconselhamento ou orientação psicológica individual. Para avaliação e acompanhamento, procure um profissional habilitado.

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Teste: Você Tem Comer Emocional? Descubra Seu Nível Agora https://anacarolinepsico.com.br/teste-comer-emocional/ Thu, 19 Mar 2026 17:49:21 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/?p=3484 Você já se pegou abrindo a geladeira sem sentir fome de verdade? Comendo no piloto automático enquanto estava ansiosa, entediada ou triste? Se isso soa familiar, você não está sozinha e pode ser um sinal de comer emocional. O comer emocional é um padrão em que a comida passa a ser usada como resposta a...

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Você já se pegou abrindo a geladeira sem sentir fome de verdade? Comendo no piloto automático enquanto estava ansiosa, entediada ou triste? Se isso soa familiar, você não está sozinha e pode ser um sinal de comer emocional.

O comer emocional é um padrão em que a comida passa a ser usada como resposta a emoções, e não como resposta à fome física. Ele afeta milhões de mulheres e, quando não identificado, pode se tornar um ciclo difícil de quebrar sozinha.

O teste abaixo foi desenvolvido com base em critérios clínicos utilizados na prática da psicologia do comportamento alimentar. Ele não substitui uma avaliação profissional, mas pode ser um primeiro passo importante para você entender melhor a sua relação com a comida.

Tempo estimado: 3 a 5 minutos.

Avaliação gratuita

Qual é sua relação com a comida?

Pergunta 1 de 8

O Que Significa o Seu Resultado?

O teste avalia a frequência e a intensidade com que emoções influenciam o seu comportamento alimentar. Os resultados são organizados em três níveis:

Nível Leve

Seu padrão alimentar apresenta sinais pontuais de comer emocional. Isso é bastante comum no dia a dia e não indica, por si só, a presença de um transtorno. Estar consciente desses momentos já é um passo importante para manter uma relação equilibrada com a comida.

Nível Moderado

As emoções já exercem uma influência relevante sobre o que e quanto você come com certa regularidade. Esse padrão costuma vir acompanhado de ciclos de culpa, compensação e frustração que se retroalimentam. Com apoio adequado, é possível identificar os gatilhos emocionais e desenvolver estratégias mais saudáveis de regulação.

Nível Intenso

Seus resultados indicam que o comer emocional está presente com frequência e impacta sua qualidade de vida. Isso não é fraqueza, nem falta de força de vontade. É um sinal de que o seu sistema nervoso aprendeu a usar a comida como recurso de sobrevivência emocional — e isso pode ser trabalhado terapeuticamente.

⚠ Importante: Este teste é uma ferramenta de autoconhecimento e tem caráter informativo. Ele não realiza diagnóstico clínico. Apenas um profissional de psicologia habilitado pode avaliar, diagnosticar e indicar o tratamento adequado para cada caso.

O Que É o Comer Emocional?

O comer emocional não é uma falha de caráter. É um comportamento aprendido, muitas vezes desde a infância, em que a comida passa a exercer uma função de regulação emocional: aliviar a ansiedade, preencher o vazio, calmar a raiva ou simplesmente dar uma pausa no caos interno.

Diferente da fome física, que surge gradualmente, aceita diferentes alimentos e se satisfaz com a saciedade, a fome emocional costuma aparecer de forma repentina, direcionada a alimentos específicos (doces, ultraprocessados, comidas reconfortantes) e raramente se satisfaz mesmo depois de comer.

Na prática clínica, vejo com frequência mulheres que descrevem esse padrão assim:

“Sei que não estou com fome. Mas não consigo parar.”

“Depois que como assim, me sinto péssima. E aí como mais.”

Se você se identifica com alguma dessas falas, o teste acima pode ser um ponto de partida importante para entender o que está acontecendo.

Para aprofundar, veja também: O que é Psiconutrição e como ela pode ajudar.

Por Que as Emoções Afetam o Que Comemos?

Nosso sistema nervoso busca constantemente o equilíbrio. Quando emoções difíceis surgem — estresse, solidão, ansiedade, tédio — o cérebro precisa encontrar uma saída. Para muitas pessoas, a comida passou a ser esse atalho.

Do ponto de vista neurológico, alimentos palatáveis (ricos em açúcar e gordura) ativam o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e gerando uma sensação momentânea de alívio. O problema é que esse alívio é temporário e o desconforto emocional que o originou permanece.

Com o tempo, o padrão se consolida: emoção difícil → busca por comida → alívio passageiro → culpa → nova emoção difícil. É um ciclo que se retroalimenta.

Entender esse mecanismo não é para justificar o comportamento, mas para olhar para ele com mais compaixão e com mais clareza sobre o que realmente precisa ser trabalhado.

Quando Vale a Pena Buscar Apoio Profissional?

Não existe um ponto exato onde o comer emocional “vira um problema”. Mas alguns sinais indicam que pode ser útil ter suporte especializado:

• O comportamento está presente com frequência (mais de uma vez por semana) e você sente dificuldade de controlar.

• Após os episódios, você experimenta culpa intensa, vergonha ou comportamentos compensatórios (como restrição alimentar).

• A relação com a comida está ocupando muito espaço mental e gerando sofrimento.

• Você já tentou mudar esse padrão várias vezes e volta ao mesmo ciclo.

Nesses casos, a psicoterapia, especialmente abordagens como a Terapia do Esquema e a Psiconutrição, pode ajudar a identificar os gatilhos emocionais, desenvolver novas formas de regulação e reconstruir uma relação mais tranquila com a comida.

Saiba mais: Como tratar a compulsão alimentar na psicologia.

Sobre a Psicóloga

Sou Ana Caroline Belekewice, psicóloga (CRP 08/35178), especialista em comportamento alimentar e Terapia do Esquema. Atendo online mulheres que desejam compreender e transformar sua relação com a comida, com base em evidências científicas e em um olhar acolhedor para a sua história.

Quer Entender Melhor o Seu Resultado?

Se o seu resultado chamou atenção ou se você simplesmente quer conversar sobre o que está vivendo, estou disponível para uma conversa sem compromisso.

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Atendimento online para todo o Brasil.

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Você já teve a sensação de repetir os mesmos padrões na vida, mesmo sem querer? De entrar nos mesmos tipos de relacionamento, de reagir sempre da mesma forma quando se sente rejeitada, de nunca se sentir boa o suficiente, mesmo quando tudo ao redor parece estar bem? https://anacarolinepsico.com.br/terapia-do-esquema-o-que-e-como-funciona/ Wed, 18 Mar 2026 19:34:43 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/?p=3481 Se sim, existe uma grande chance de que esses padrões tenham um nome — e uma explicação que vai muito além de “isso é meu jeito de ser”. A Terapia do Esquema é uma das abordagens mais profundas e eficazes da psicologia contemporânea para trabalhar exatamente esses padrões emocionais antigos que insistem em aparecer na...

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Se sim, existe uma grande chance de que esses padrões tenham um nome — e uma explicação que vai muito além de “isso é meu jeito de ser”.

A Terapia do Esquema é uma das abordagens mais profundas e eficazes da psicologia contemporânea para trabalhar exatamente esses padrões emocionais antigos que insistem em aparecer na vida adulta. E entender como ela funciona pode ser o primeiro passo para finalmente mudar o que parece impossível de mudar. 💜

📋 Neste artigo você vai encontrar:

O que é a Terapia do Esquema

A Terapia do Esquema (TE) é uma abordagem psicológica integrativa desenvolvida pelo psicólogo americano Jeffrey Young na década de 1990. Ela parte de uma premissa simples e poderosa: muitos dos padrões emocionais e comportamentais que nos causam sofrimento na vida adulta têm raízes em experiências da infância, quando nossas necessidades emocionais mais básicas não foram adequadamente atendidas.

O termo “esquema” se refere exatamente a esses padrões: estruturas profundas de sentimentos, percepções e comportamentos que uma pessoa desenvolve como resposta às experiências que viveu quando era criança. Quando esses esquemas não se adaptam adequadamente às situações e acabam trazendo prejuízos, são chamados de “desadaptativos”.

O que torna a Terapia do Esquema especialmente poderosa é que ela não trata apenas os sintomas visíveis, mas vai até a raiz do problema. Ela busca não apenas aliviar sintomas, mas promover mudanças estruturais e duráveis na personalidade.

💜 Em outras palavras: enquanto outras terapias trabalham com o que você pensa e faz agora, a Terapia do Esquema investiga de onde vieram esses pensamentos e comportamentos, e transforma isso de dentro para fora.

Como surgiu: a história de Jeffrey Young

Jeffrey Young era um discípulo de Aaron Beck, o criador da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Mas no dia a dia do consultório, ele percebeu que alguns pacientes simplesmente não respondiam bem à TCC tradicional. Especialmente aqueles com padrões emocionais mais antigos e arraigados, como transtornos de personalidade, dificuldades crônicas nos relacionamentos e questões que remontavam à infância.

A Terapia do Esquema foi desenvolvida por Jeffrey Young no final da década de 1980 para ajudar pacientes com transtornos de personalidade que não respondiam bem ao tratamento com a terapia cognitivo-comportamental de curta duração.

Para dar conta dessa complexidade, Young foi além da TCC e construiu uma abordagem que integra várias escolas do pensamento psicológico. A Terapia do Esquema une a terapia cognitivo-comportamental com elementos da teoria do apego, da Gestalt, da psicodinâmica e das neurociências.

O resultado foi uma das abordagens mais completas e humanizadas da psicologia moderna, que hoje tem evidências científicas sólidas de eficácia para uma grande variedade de condições.

O que são os esquemas desadaptativos

Imagine uma criança que cresceu em um ambiente onde demonstrar emoções era punido, ignorado ou ridicularizado. Aos poucos, ela aprende que sentir e expressar o que sente é perigoso, ou que não tem valor. Esse aprendizado se cristaliza em um esquema.

Na vida adulta, sempre que essa pessoa se aproxima de alguém de quem gosta, o esquema é ativado. Ela pode se fechar emocionalmente sem entender por quê, ou se antecipar à rejeição antes mesmo que ela aconteça.

Os Esquemas Iniciais Desadaptativos são “crenças e sentimentos incondicionais sobre si mesmo em relação ao ambiente”, representando o nível mais profundo da cognição, e operam de modo sutil, fora da consciência. São temas extremamente estáveis e duradouros que se desenvolvem cedo durante a infância, são elaborados ao longo da vida e são disfuncionais em grau significativo.

Uma característica importante dos esquemas é que, mesmo causando sofrimento, eles parecem familiares e verdadeiros. Mesmo causando sofrimento, eles têm relação com a pessoa e com quem a rodeia, o que faz com que sejam difíceis de mudar. É como se o esquema fosse a nossa “verdade” mais profunda sobre nós mesmos e sobre o mundo — e questionar essa verdade dá medo.

As 5 necessidades emocionais básicas

Para entender de onde vêm os esquemas, precisamos falar sobre as necessidades emocionais básicas. Young identificou que todos os seres humanos nascem com cinco necessidades fundamentais que precisam ser atendidas de forma adequada ao longo do desenvolvimento:

NecessidadeO que significaQuando não é atendida…
Segurança e apegoSentir-se segura, cuidada e amada por pessoas estáveisSurgem esquemas de abandono, desconfiança e privação emocional
Autonomia e competênciaDesenvolver independência e confiança nas próprias capacidadesSurgem esquemas de fracasso, dependência e vulnerabilidade
Expressão de necessidadesPoder expressar sentimentos, necessidades e opiniões livrementeSurgem esquemas de subjugação e postura punitiva
Espontaneidade e prazerBrincar, se divertir e se conectar emocionalmenteSurgem esquemas de negatividade e inibição emocional
Limites e autocontroleAprender limites realistas e desenvolver autodisciplinaSurgem esquemas de grandiosidade e autocontrole insuficiente

Quando essas necessidades são bem atendidas, crescemos com uma base emocional sólida. Quando não são, desenvolvemos esquemas que tentam compensar essas falhas, mas acabam criando novos problemas.

Os 5 domínios e os 18 esquemas

Young identificou 18 esquemas desadaptativos iniciais, organizados em 5 grandes domínios. Cada domínio corresponde a uma área de necessidade emocional não atendida.

Domínio 1: Desconexão e Rejeição

Inclui esquemas ligados à dificuldade de criar vínculos seguros e estáveis. Quem carrega esses esquemas frequentemente acredita que não vai ser amada de verdade ou que será abandonada.

Esquemas: Abandono/Instabilidade, Desconfiança/Abuso, Privação Emocional, Deficiência/Vergonha, Isolamento Social

Domínio 2: Autonomia e Desempenho Prejudicados

Envolve esquemas ligados à dificuldade de funcionar de forma independente. Quem carrega esses padrões tende a se sentir incapaz, presa ou excessivamente dependente dos outros.

Esquemas: Dependência/Incompetência, Vulnerabilidade ao Dano, Emaranhamento, Fracasso

Domínio 3: Limites Prejudicados

Inclui esquemas ligados à dificuldade com limites, seja impondo aos outros ou respeitando os próprios. Podem se manifestar como egocentrismo, impulsividade ou dificuldade de comprometimento.

Esquemas: Grandiosidade/Arrogo, Autocontrole/Autodisciplina Insuficientes

Domínio 4: Orientação para o Outro

Envolve esquemas em que a pessoa coloca as necessidades dos outros sempre acima das próprias, muitas vezes à custa de si mesma.

Esquemas: Subjugação, Autossacrifício, Busca de Aprovação/Reconhecimento

Domínio 5: Supervigilância e Inibição

Inclui esquemas ligados ao excesso de controle, rigidez e supressão de sentimentos e impulsos espontâneos.

Esquemas: Negativismo/Pessimismo, Inibição Emocional, Padrões Inflexíveis, Postura Punitiva

💜 Importante: todos nós temos esquemas. A questão não é eliminá-los, mas aprender a reconhecê-los, entender de onde vieram e desenvolver novas formas de responder a eles.

Como a gente responde aos esquemas: os estilos de enfrentamento

Quando um esquema é ativado, o sistema nervoso responde automaticamente. Esse padrão de resposta é o que chamamos de estilo de enfrentamento. Young identificou três grandes estilos:

EstiloO que éExemplo prático
RendiçãoA pessoa cede ao esquema e age como se ele fosse verdadeQuem tem esquema de abandono aceita relacionamentos ruins por medo de ficar sozinha
EvitaçãoA pessoa foge das situações que ativam o esquemaQuem tem esquema de fracasso evita desafios para não se decepcionar
HipercompensaçãoA pessoa age de forma oposta ao esquema, exagerando na outra direçãoQuem tem esquema de deficiência se torna excessivamente perfeccionista para provar que é capaz

Nenhum desses estilos é “errado” em si. Os estilos de enfrentamento podem ajudar bastante a lidar com os esquemas durante a infância e adolescência, mas costumam ser prejudiciais na idade adulta, tendo em vista que podem acabar reforçando os próprios esquemas. É exatamente aí que entra o trabalho terapêutico.

Como funciona uma sessão de Terapia do Esquema na prática

A Terapia do Esquema não segue um roteiro único, mas costuma se organizar em fases que se sobrepõem ao longo do processo:

  1. Avaliação e conceituação: nas primeiras sessões, a psicóloga e a paciente constroem juntas um mapa dos esquemas presentes, muitas vezes com o auxílio do Questionário de Esquemas de Young (YSQ). Também se investiga a história de vida e as experiências da infância que podem ter originado cada esquema.
  2. Psicoeducação: a paciente aprende o que são os esquemas, como se formaram e por que continuam se repetindo. Entender o próprio esquema já é transformador — muita gente chora quando finalmente compreende de onde vem um padrão que carregou a vida toda.
  3. Trabalho emocional e relacional: aqui entram técnicas mais experienciais, como a imaginação guiada com ressignificação — em que a paciente revisita cenas da infância com o apoio do Adulto Saudável interno — e o trabalho com cadeiras, que permite dar voz a diferentes partes da personalidade.
  4. Mudança comportamental: com o esquema identificado e trabalhado emocionalmente, a psicóloga ajuda a paciente a desenvolver novas formas de responder às situações do dia a dia, substituindo os padrões antigos por comportamentos mais adaptativos.

Por se tratar de uma terapia que tem foco em padrões profundos de personalidade, sua duração costuma ser entre 2 e 3 anos, levando em conta que flexibilizar traços de personalidade pode ser bastante demorado. Mas isso varia muito de pessoa para pessoa e depende dos objetivos terapêuticos.

✅ Importante saber: a Terapia do Esquema é conduzida exclusivamente por psicólogos com formação específica nessa abordagem. No Brasil, existem institutos certificados que oferecem essa formação. Ao escolher uma psicóloga, você pode perguntar diretamente se ela tem experiência com a TE.

Para quem a Terapia do Esquema é indicada

A Terapia do Esquema foi criada inicialmente para transtornos de personalidade, mas suas aplicações foram se expandindo ao longo dos anos. Hoje ela é indicada para uma grande variedade de situações:

  • Transtornos de personalidade (especialmente borderline e narcisista)
  • Transtornos alimentares (compulsão, anorexia, bulimia)
  • Depressão crônica e ansiedade persistente
  • Dificuldades crônicas nos relacionamentos afetivos
  • Padrões repetitivos de relacionamentos disfuncionais
  • Baixa autoestima e sentimento crônico de inadequação
  • Dificuldade em estabelecer limites ou tendência a se colocar sempre por último
  • Comportamentos impulsivos que a pessoa não consegue controlar
  • Uso problemático de substâncias
  • Pessoas que passaram por traumas na infância
  • Pessoas que “já tentaram tudo” e não conseguiram mudar certos padrões

O próprio Young defende que a terapia pode beneficiar outras pessoas, que não têm transtornos, mas dificuldade em expor seus sentimentos e emoções — aquelas que têm bloqueios e negações que as impedem de se manifestar livremente.

Terapia do Esquema e transtornos alimentares

Essa é uma das conexões mais importantes para o trabalho que desenvolvo no consultório.

Transtornos alimentares como a compulsão alimentar, a anorexia e a bulimia raramente surgem do nada. Por trás de cada comportamento difícil com a comida, quase sempre há esquemas ativos, necessidades emocionais não atendidas e estilos de enfrentamento que a pessoa desenvolveu para sobreviver ao que viveu.

A comida pode ser usada como forma de rendição (comer para preencher um vazio), evitação (restringir para ter controle quando tudo parece descontrolado) ou hipercompensação (perfeicionismo alimentar extremo para compensar um esquema de deficiência). Reconhece algum desses padrões?

A Terapia do Esquema atua nessa camada mais profunda. Não se trata de ensinar a “comer certo” ou de controlar os comportamentos alimentares pela força da vontade. Trata-se de entender de onde vem a necessidade que a comida está tentando suprir, e encontrar formas mais saudáveis de atendê-la.

Para saber mais sobre como essa abordagem é aplicada especificamente aos transtornos alimentares, leia: Terapia do Esquema para transtornos alimentares: o que é e como pode te ajudar.

E se quiser entender como a psiconutrição complementa esse trabalho, temos um artigo específico sobre o tema também.

Pronta para entender seus próprios esquemas?

Se você chegou até aqui e se reconheceu em algum padrão descrito, saiba que isso não é fraqueza e nem significa que você está “quebrada”. Significa que você carregou aprendizados muito antigos que precisam ser revistos, com cuidado e com apoio. 💜

A Terapia do Esquema não é um processo fácil, mas é profundamente transformador. É um trabalho que vai além dos sintomas e alcança quem você realmente é, de onde vieram suas crenças mais íntimas e como você pode, finalmente, viver de um jeito diferente.

Como psicóloga especializada em Terapia do Esquema e psiconutrição, atendo online mulheres que querem trabalhar esses padrões emocionais profundos, especialmente quando eles se manifestam na relação com a comida e com o próprio corpo.

Quer dar o primeiro passo?

Agende uma conversa inicial e veja como a Terapia do Esquema pode te ajudar. Atendimento 100% online. 💬 Falar com a Psi Ana Caroline

Perguntas frequentes sobre Terapia do Esquema

O que são os esquemas desadaptativos?

Esquemas desadaptativos são padrões profundos de sentimentos, percepções e comportamentos que uma pessoa desenvolve quando suas necessidades emocionais básicas não foram adequadamente atendidas na infância. Eles se formam como uma espécie de “mapa interno” de como o mundo funciona, e continuam influenciando respostas emocionais e comportamentais na vida adulta, mesmo quando não fazem mais sentido.

Terapia do Esquema é o mesmo que TCC?

Não. A Terapia do Esquema parte da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mas vai muito além dela. Enquanto a TCC foca na reestruturação de pensamentos automáticos no presente, a Terapia do Esquema investiga as origens emocionais e relacionais desses pensamentos na infância, trabalhando em um nível mais profundo da personalidade. Ela também inclui técnicas experienciais, como imaginação guiada e trabalho com cadeiras, que não fazem parte da TCC tradicional.

Quanto tempo dura a Terapia do Esquema?

Por trabalhar padrões profundos de personalidade, a Terapia do Esquema costuma ter uma duração mais longa, em geral entre 1 e 3 anos. Mas isso varia muito dependendo dos objetivos terapêuticos, da história de vida de cada pessoa e da frequência das sessões. O importante é que as mudanças que ela promove tendem a ser mais duradouras do que abordagens de curto prazo.

Terapia do Esquema funciona para transtornos alimentares?

Sim. A Terapia do Esquema é uma das abordagens mais eficazes para trabalhar transtornos alimentares como compulsão, anorexia e bulimia. Isso porque ela atua nas raízes emocionais dos comportamentos difíceis com a comida, identificando os esquemas que estão por baixo dos episódios compulsivos, da restrição alimentar e da relação distorcida com o corpo.

Como saber se tenho esquemas desadaptativos?

Se você percebe que repete os mesmos padrões em relacionamentos, reage de forma intensa a certas situações sem entender por quê, sente que nunca é boa o suficiente ou tem dificuldade de estabelecer limites, é possível que esquemas desadaptativos estejam ativos. Uma avaliação com uma psicóloga treinada em Terapia do Esquema é a forma mais segura de identificar quais são os seus esquemas e como trabalhar com eles.

A Terapia do Esquema pode ser feita online?

Sim. A Terapia do Esquema pode ser realizada com a mesma eficácia no formato online, por videochamada. O Conselho Federal de Psicologia regulamenta e autoriza o atendimento psicológico remoto, e a prática tem se mostrado igualmente eficaz para a maioria das abordagens terapêuticas.


Referências: Young, J. E., Klosko, J. S., Weishaar, M. E. (2003). Schema Therapy: A Practitioner’s Guide | Edwards, D., Arntz, A. (2012). Schema therapy in historical perspective | Bamelis, L. et al. (2014). Results of a multicenter randomized controlled trial of the clinical effectiveness of schema therapy for personality disorders | Instituto de Psiquiatria do Paraná | Instituto NeuroSaber | Artmed Editora | Wikipedia — Terapia do Esquema.

Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico profissional.

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Canetas Emagrecedoras e Transtornos Alimentares: o que você precisa saber https://anacarolinepsico.com.br/canetas-emagrecedoras-transtornos-alimentares/ Tue, 24 Feb 2026 18:34:19 +0000 https://anacarolinepsico.com.br/?p=3463 Nos últimos anos, medicamentos injetáveis como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) se tornaram um dos assuntos mais comentados quando o tema é emagrecimento. Nas redes sociais, em consultórios e em conversas do dia a dia, as chamadas “canetas emagrecedoras” aparecem como uma solução moderna, eficaz e cada vez mais acessível. E de fato, do ponto de...

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Nos últimos anos, medicamentos injetáveis como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) se tornaram um dos assuntos mais comentados quando o tema é emagrecimento. Nas redes sociais, em consultórios e em conversas do dia a dia, as chamadas “canetas emagrecedoras” aparecem como uma solução moderna, eficaz e cada vez mais acessível.

E de fato, do ponto de vista médico, esses medicamentos têm resultados comprovados para perda de peso em pessoas com obesidade e condições metabólicas associadas. Mas existe uma dimensão dessa conversa que raramente aparece: o que acontece com a mente, com as emoções e com a relação com a comida de quem usa esses medicamentos?

E mais especificamente: qual é o impacto para quem tem ou já teve um transtorno alimentar?

É sobre isso que este artigo fala — com informação, cuidado e sem julgamento.

O que são as canetas emagrecedoras e como elas funcionam?

As canetas emagrecedoras pertencem a uma classe de medicamentos chamados agonistas do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Eles atuam em receptores do cérebro e do sistema digestivo, promovendo:

  • Redução do apetite e da fome
  • Aumento da sensação de saciedade
  • Esvaziamento gástrico mais lento
  • Regulação da glicose no sangue

O resultado é que muitas pessoas relatam simplesmente “não sentir fome” ou perder o interesse pela comida — algo que para muitos parece libertador, mas que do ponto de vista psicológico merece atenção cuidadosa, especialmente em pessoas com histórico de transtornos alimentares.

Canetas emagrecedoras e transtornos alimentares: qual é o risco?

Essa é a pergunta central que profissionais de saúde mental precisam fazer — e que infelizmente ainda é pouco considerada antes da prescrição desses medicamentos.

Os transtornos alimentares como anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) e ortorexia têm raízes profundas na relação emocional com a comida, com o corpo e com o controle. Quando um medicamento entra nessa equação e suprime fisicamente a fome, algumas dinâmicas preocupantes podem se instalar.

1. Reforço de comportamentos restritivos

Para mulheres com histórico de anorexia ou comportamentos restritivos, a supressão do apetite provocada pela caneta pode ser experienciada como um alívio perigoso. “Finalmente não sinto fome” pode soar como libertação, mas na prática reforça a crença de que comer menos é sempre melhor — e pode aprofundar padrões já existentes de restrição.

O problema é que o medicamento age no corpo, mas não age na mente. Os esquemas emocionais que sustentam o transtorno — como a crença de que o valor pessoal está atrelado ao peso ou ao controle alimentar — continuam intocados.

2. Gatilhos para a compulsão alimentar

Para mulheres com TCAP ou bulimia, o cenário pode ser diferente mas igualmente preocupante. A supressão artificial da fome pode funcionar por um período — mas quando o medicamento é pausado, reduzido ou quando o corpo desenvolve resistência, a fome retorna. E muitas vezes retorna com intensidade.

Sem o trabalho emocional que aborda por que a compulsão acontece, o comportamento tende a retornar — muitas vezes com mais culpa e vergonha do que antes, por ter “fracassado” mesmo com o auxílio do medicamento.

3. Dissociação do corpo e dos sinais internos

Um dos objetivos centrais do tratamento de transtornos alimentares é ajudar a pessoa a reconectar com os sinais do próprio corpo — fome, saciedade, prazer, desconforto. Esse processo, chamado de alimentação intuitiva, é lento e exige muito trabalho terapêutico.

O uso de medicamentos que suprimem artificialmente esses sinais pode dificultar — ou até reverter — esse processo. A pessoa deixa de aprender a confiar no corpo porque o corpo, farmacologicamente, está sendo silenciado.

4. Surgimento ou intensificação de transtornos alimentares

Estudos e relatos clínicos têm apontado que, em algumas pessoas sem histórico prévio de transtorno alimentar, o uso de GLP-1 pode precipitar comportamentos disfuncionais com a alimentação. A perda de apetite extrema, a aversão a alimentos e a relação cada vez mais controlada com a comida podem abrir portas para padrões que antes não existiam.

“Emagrecer não é sinônimo de ter uma relação saudável com a comida. Esses são dois processos diferentes — e precisam ser tratados de formas diferentes.”

Isso significa que canetas emagrecedoras são proibidas para quem tem transtorno alimentar?

Não necessariamente. Essa é uma decisão que deve ser tomada de forma individualizada, com acompanhamento médico e psicológico integrado.

Existem situações em que o uso criterioso desses medicamentos pode fazer parte de um plano de tratamento mais amplo — especialmente em casos de obesidade grave com comorbidades metabólicas. Mas isso exige:

  • Avaliação detalhada do histórico de transtorno alimentar
  • Acompanhamento psicológico ativo durante todo o uso
  • Monitoramento dos padrões alimentares, não apenas do peso
  • Um plano claro para o momento em que o medicamento for suspenso

O que não é seguro é iniciar o uso dessas medicações sem nenhum suporte emocional — e infelizmente isso é o que acontece na maioria dos casos.

O que acontece quando a caneta é suspensa?

Essa é talvez a pergunta mais importante e menos discutida de toda essa conversa.

Estudos mostram que a maioria das pessoas recupera o peso perdido quando para de usar os medicamentos GLP-1. Isso acontece porque o medicamento trata o sintoma, não a causa. Quando ele sai, a fome retorna, os padrões alimentares anteriores tendem a voltar e com eles, todo o peso emocional que nunca foi processado.

Para mulheres com transtornos alimentares, esse momento pode ser especialmente difícil. A sensação de “fracasso”, a retomada do peso, o reencontro com a fome tudo isso pode reativar esquemas emocionais profundos de vergonha, defectividade e descontrole.

É exatamente por isso que o trabalho psicológico não pode ser adiado para “depois que emagrecer”. Ele precisa acontecer em paralelo — ou antes.

Qual é o papel da psicoterapia nesse contexto?

A psicoterapia, especialmente abordagens como a terapia do esquema e a terapia cognitivo-comportamental voltada para transtornos alimentares, oferece algo que nenhum medicamento consegue: a possibilidade de transformar a relação emocional com a comida, com o corpo e consigo mesma.

Enquanto a caneta age no corpo suprimindo a fome, a psicoterapia trabalha nas perguntas que realmente importam a longo prazo:

  • Por que eu uso a comida para lidar com emoções difíceis?
  • Quais crenças sobre meu corpo e meu valor eu carrego desde a infância?
  • O que acontece emocionalmente quando eu “perco o controle” com a comida?
  • Como posso construir uma relação mais gentil e sustentável comigo mesma?

Essas não são perguntas que um medicamento responde. São perguntas que exigem tempo, presença e um espaço terapêutico seguro.

“A caneta pode reduzir o peso no corpo. A terapia trabalha o peso que você carrega por dentro — e esse costuma ser muito mais pesado.”

Perguntas frequentes

Posso usar caneta emagrecedora se já tive anorexia ou bulimia?

Essa decisão deve ser tomada com cuidado e sempre com acompanhamento especializado. O histórico de transtorno alimentar é um fator relevante que precisa ser considerado pelo médico prescritor e idealmente discutido também com um psicólogo. Em muitos casos, o risco de reativação do transtorno é real e precisa ser monitorado de perto.

A terapia pode substituir o medicamento para emagrecer?

A psicoterapia não tem como objetivo principal a perda de peso. Seu foco é transformar a relação emocional com a comida e com o corpo. Em muitos casos, quando esse trabalho avança, o comportamento alimentar se torna mais equilibrado e o peso se regula naturalmente, mas esse não é o objetivo central, e sim uma possível consequência de um processo mais profundo.

Estou usando a caneta agora. Devo parar?

Não tome essa decisão sozinha. O mais importante é que você tenha acompanhamento psicológico enquanto usa o medicamento para monitorar como sua relação com a comida e com o corpo está sendo afetada, e para trabalhar as questões emocionais que o medicamento não resolve.

Como sei se tenho um transtorno alimentar?

Transtornos alimentares se manifestam de formas muito diferentes e nem sempre são evidentes. Se você percebe que sua relação com a comida gera sofrimento, culpa, vergonha, comportamentos de controle intenso ou que está muito conectada à sua autoestima e ao seu valor como pessoa, vale buscar uma avaliação com uma psicóloga especializada.

Uma palavra final

Não existe solução simples para uma relação complexa com a comida e com o corpo. As canetas emagrecedoras podem ser uma ferramenta útil em determinados contextos médicos, mas elas não chegam perto de resolver o que está por trás de um transtorno alimentar.

Se você está considerando usar esse tipo de medicamento, já usa ou parou de usar e está sentindo os efeitos emocionais disso, você merece um espaço para falar sobre o que está vivendo.

Sou Ana Caroline Belekewice, psicóloga especializada em transtornos alimentares com formação em terapia do esquema. Atendo mulheres adultas que querem entender e transformar sua relação com a comida, com o corpo e consigo mesmas, com ou sem o uso de medicamentos.

Entre em contato para agendar uma sessão de avaliação. Estou aqui para conversar.


Ana Caroline Belekewice | Psicóloga CRP 08/35178 | anacarolinepsico.com.br

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